70 anos da realização da Festa do Algodão em ST

Publicado às 22h desta terça (15)

Há exatos 70 anos dava se início à Festa do Algodão, realizada entre 15 e 16 de agosto de 1953. Esse foi um dos maiores eventos político, social e cultural já realizado na história de Serra Talhada, infelizmente a falta de registros desse acontecimento na cidade impede que ele seja conhecido em toda a sua grandiosidade.

Apesar disso, estamos garimpando algumas informações que gradativamente estão ajudando a entender melhor o que ocorreu na Fazenda Saco, dias agosto daquele ano e que estarão a disposição de todos no livro: 70 anos da festão do Algodão em Serra Talhada (1953-2023), de autoria do professor e escritor Paulo César Gomes, a publicação será lançada no final deste mês na UAST-UFRPE, o evento conta com apoio de alunos, professores e o do sindicato representa os docentes.

COMO SURGIU A IDEIA DA FESTA

A ideia da festa partiu dos estudantes da escola superior de agronomia, sediada em Recife, e contou com apoio do Secretário de Agricultura, Eudes Pinto.

Estiveram presentes ao evento o Ministro da Agricultura, João Cleophas, o Governador do Estado, Etelvino Lins, os Senadores Apolônio Sales, Assis Chateaubriand e Plínio Pompeu, os empresários do ramo fabril Adriano e Antônio Seabra, do presidente do Tribunal de Contas de São Paulo, Romeu Ferraz e por diversas outras autoridades vindas do Rio de Janeiro, São Paulo e Recife.

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Tudo foi registrado pelos repórteres da extinta TV Tupi, revista O Cruzeiro, jornal Diário de Pernambuco e Rádio Tamandaré, todos os veículos de comunicação eram ligados ao conglomerado de empresas jornalísticas dos “Diários Associados”, pertencentes Assis Chateaubriand.

70 anos da realização da Festa do Algodão em ST

Segundo a reportagem do Diário de Pernambuco, de 12 de agosto de 1953, eram esperados mais de 1.000 convidados vindos em caravanas de várias cidades do estado, o desafio da organização era acomodar essa grande quantidade de pessoas em uma cidade que não possui uma rede hoteleira de qualidade e que tinha uma zona urbana habitada por pouco mais 5.501 habitantes e com menos de 1.000 casas, segundo agência de estatística estadual.

Participaram da festa mais de 20 cidades ligadas ao cultivo de algodão, delas apenas 15 puderam indicar nomes de misses (e princesas) para concorrem ao título de Rainha da Festa do Algodão. Os critérios para as indicações obedeciam a o requisitos de produção de 50.000 arrobas de algodão no ano de 1951.

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As candidatas foram escolhidas por representantes das suas cidades, sendo que a maioria eram filhas de empresários ou políticos importantes, a representante de Flores, por exemplo, era filha do prefeito Pedro estima. Escolha da rainha foi um dos maiores concurso de beleza do estado, até realizada, isso porque o Miss Pernambuco só foi criado em 1955.

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AS CONCORRENTES

Concorreram a coroa de rainha: Hilda Souza (Caruaru), Diva Lima (Garanhuns), Iolanda Pires (Tabira), Juliane T. Vilanova (Bom Conselho), Vilma Durce (Correntes), Nanete Barbosa (Surubim), Neli Pinheiro (Sertania), Marluce Estima (Flores), Mirian Padilha (Afogados da Ingazeira) Elizabeth Barros (Buíque), Maria de Souza Rosa “Lia Rosa” (Floresta), Euridice Almeida (Vertentes), Maria dos Santos (Limoeiro), Iraildes Japiassu Simões (Pedra) e Maria Tereza de Godoy Bené (Serra Talhada). Bezerros, Águas Belas, Ouricuri e Cabrobo, entre outras cidades, mesmo sem ter candidatas na disputa.

A representante de Serra Talhada foi à última a ser indicada, até as véspera do concurso o nome dela não figurava em nenhuma relação disponibilizada pelo órgão de imprensa. a jovem Maria Tereza de Godoy Bené, era filha do ex-prefeito de Serra Talhada e da cidade de Bonito, José Bené de Carvalho, e sobrinha do prefeito da época, Moacir Godoy. Ironicamente a última candidata acabou se tornando a vencedora da coroa de Rainha da Festa do Algodão.

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A FUGA DE CHATEAUBRIAND DE SERRA TALHADA

Encerramos com uma foto garimpada nas páginas da revista O Cruzeiro que mostra o momento em que Tereza Bené e agraciada com uma joia dada pelo Senador e empresário Assis Chateaubriand. Segundo relatos orais ainda não confirmados, o senador após a entrega do presente beijou a face da jovem serra-talhadense.

O que gerou um grande conflito com a família da moça, forçando o magnata das comunicações a fugir da festa escondido dentro de um porta-malas de um carro. Verdade ou não, o episódio só pode ser confirmado pela pela própria Tereza, que segundo informações reside em Olinda, e esperamos que alguém possa nos ajudar a encontra – lá.

70 anos da realização da Festa do Algodão em ST

REVISTA MANCHETE DA ÉPOCA CONFIRMOU A FUGA

O livro 70 anos da festão do Algodão em Serra Talhada (1953-2023), também trará detalhes desse episódio envolvendo o polêmico empresário e político. Além disso, o leito vai conhecer uma pouco mais sobre a chegada do algodão na região e o desenvolvimento do algodão mocó.

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