Análise: A eleição de um "mito" e a herança maldita na política

Por Ivanildo Salvador, Policial Civil e leitor do Farol de Notícias

Em 2016, após 14 anos chegou ao fim o governo do PT no Brasil. Foram 8 anos de governo do ex-metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, e seis da sua criação política, Dilma Rousseff, que fora afastada após um arquitetamento político da extrema direita que sempre planejara voltar ao poder que ocupara desde a nossa abertura política no longínquo ano de 1988.

Contudo, após ser jogada no limbo ela vira a oportunidade de um retorno tendo em vista a situação do PT naquela ocasião, um partido cujo sinônimo era corrupção e com o seu principal líder preso e com os direitos políticos eventualmente cassados. Porém, havia um consenso que era o receio de se colocar a cabeça para fora da carapaça sabendo da sua herança política quando deixou o poder criando um foço abissal entre as classes sociais da nação. Mas, a oportunidade era aquela, não haveria melhor momento.

Assim, apostaram tudo numa pessoa fora do contexto dos maiorais direitistas, alguém desconhecido até então. Mesmo que proveniente do militarismo, mas que trazia em seu decurso algo que a nação clamava depois de tudo que envolvera o governo do PT: o fim da corrupção. Juntamente com o surgimento do valor familiar que se entrelaçava com aquilo que sempre foi a bandeira empunhada por uma ala cada vez mais ligada à política, a ala evangélica!

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Então, em janeiro de 2019, Jair Messias Bolsonaro, assume a presidência do país. Porém, estando no poder e com a faca e o queijo nas mãos, pelos motivos que todos já sabem, o novo governo foi desastroso. Não sabendo aproveitar tal oportunidade, preferindo tirar o foco da sua administração, já que não fazia nada de relevante à nação para ficar num embate com o Supremo Tribunal Federal e com o próprio Congresso Nacional. Com uma ideia fixa em golpe de estado sem sequer saber dos limites do seu poder.

E assim foi o seu governo: um período difícil em proporções globais, principalmente pelo advento da pandemia da Covid, e não tendo ele um assessoramento adequado cometendo um equívoco atrás do outro. Enquanto a população clamava por mudanças, por algo novo, mas via sua confiança e esperança se dissiparem com o passar do tempo. Dessa maneira, com a mesma facilidade que a direita chegou ao poder após tantas tentativas, ela entregou o poder de volta ao PT!

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De uma hora pra outra, como que um milagre, o então ex-presidiário, Luiz Inácio Lula da Silva, deixa a prisão e recupera os seus direitos políticos. O Supremo Tribunal Federal, como um dia fizera Pôncio Pilatos, lavou as mãos em relação ao que ocorrera com Lula e ao próprio PT, de repente só faltou canonizar o novamente candidato à presidência. O único que teria força para tirar de cena o então presidente das constantes ameaças dirigidas ao judiciário.

Parece até um paradoxo: criou-se um mito para combater o fantasma da força popular, mas depois teve de dar vida a esse fantasma para enfrentar o protagonismo de um mito que assombrava o Olimpo do judiciário. É… o STF também se assusta, seja com fantasmas ou com a mitologia pagã. É o vale tudo para não se perder o poder.

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Termino esse meu texto com uma indagação sem resposta, até porque nenhuma faz sentido, a atualidade traz uma cruel realidade. Nunca tivemos isso na história do Brasil, uma nação tão apartada entre direita e esquerda. Sei que sempre houve essa separação, mas nada tão exacerbada, tão hostil e tão perigosa como nos dias atuais, ainda mais com o advento das redes sociais.

Duas alas extremistas que se formaram no Brasil após a eleição de Jair Bolsonaro e principalmente após a sua saída, por quê? Precisamos mesmo dessa situação? Isso tomou proporções extremas e posso até dizer, numa perenidade que talvez só os nossos netos poderão viver longe dessa herança maldita. Já sabendo de toda a verdade que se escondera durante esse período atual, pois o tempo tem esse poder de escancarar verdades.