Fotos: Farol de Notícias / Celso García

Publicado às 05h30 desta sexta-feira (15)

Com criatividade, amor e fé, uma moradora de Serra Talhada construiu uma bela história de vida. Laércia Freires dos Santos, 34 anos, é natural de Triunfo, mas se considera serra-talhadense de coração, onde mora há 22 anos. Tem 1,16 cm de altura, mas nunca viu no nanismo uma barreira para conquistar seus ideais. Conhecida pelas ruas da cidade por pilotar uma motocicleta totalmente adaptada para sua realidade.

A reportagem do Farol de Notícias visitou a casa e a oficina de para choques de Laércia e seu esposo Romildo Benedito da Silva Santos, 54 anos, conhecido como Romildo Faz Tudo, filho do João Faz Tudo, para conhecer o Triciclo Ana, uma invenção idealizada por Romildo para presentear a esposa. O casal colocou a mão na fibra de vidro e resina para dar asas ao sonho. De acordo com ela, o veículo é o único utensílio adaptado para sua condição em sua casa.

“Eu nunca tive o sonho de andar de moto, mas eu aperreava muito meu esposo para ir aos lugares fazer feira e resolver as coisas na rua, eu demorava muito na rua e incomodava ele. Daí ele teve a ideia de fazer o triciclo para mim, em 2014 ele comprou uma moto, uma cinquentinha. E mesmo com todo mundo colocando gosto ruim e obstáculo ele disse que ia fazer”, comentou a motociclista, continuando:

“Foi um ano fazendo ela, só trabalhávamos no domingo, finalizamos em 2015. Já tem 7 anos que eu ando no triciclo, de boa. Mas em tudo Deus deixa um propósito, em 2019, meu esposo ficou impossibilitado de andar também por problemas de saúde. Qualquer pessoa pode andar, ele foi adaptado para duas pessoas. Muita gente para na rua olha com curiosidade, pede para tirar foto. Até nas blitz os policiais pediam para a gente parar para fazer fotos. Eu o chamo de Triciclo Ana, por causa do anã”.

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PRECONCEITO E SUPERAÇÃO

Laércia contou que se reconheceu com nanismo aos 12 anos, quando foi apontada na rua por outras pessoas. A princípio, a negação e a depressão, lhe bateram fortemente, mas com fé e apoio de seus entes queridos superou e hoje vive feliz. Para ela, em sua juventude sentia 99% de preconceito e 1% de respeito. Hoje é o contrário, e através do nanismo e do triciclo ficou conhecida e reconhecida na capital do xaxado.

“Até meus 12 anos eu não tinha noção que era anã, eu não conhecia nenhum anão. E eu não me via como anã. E então, quando eu comecei a sair mais na rua as pessoas gritavam na rua me chamando de anã e eu ficava meio assim, comecei a entrar em depressão. E as pessoas me chamavam assim, mas depois eu vi que as pessoas com deficiência também são chamadas de especiais e isso me fez ir acostumando com a ideia. E vivo normalmente, tranquilamente. Minha casa não é adaptada, toda normal. A única coisa que é adaptada é a pia. Mas minha cama é enorme, tem 2,40 cm. Hoje não sinto mais preconceito, tenho muito conhecimento e as pessoas gostam de mim”, disse Laércia.

TRICICLO ANA EM PROL DA SOLIDARIEDADE

Láercia é mãe de dois filhos, tem uma rotina comum como dona de casa e já trabalhou bastante na oficina com Romildo. Devido aos problemas de saúde dele, deram uma pausa nos trabalhos mecânicos. Em contrapartida, Laércia sempre foi uma cidadã ativa em sua comunidade e usa parte do seu tempo livre para ajudar outras pessoas que precisam.

“Eu sempre fiz ações sociais aqui pelo bairro, arrecadando alimentos e outras ações. Estamos com o projeto de usar o triciclo para arrecadar donativos para ajudar as pessoas carentes do bairro. Quem quiser tirar fotos pode doar um pequeno valor e vamos juntando para ajudar os mais necessitados e colocar para frente esse projeto”, finalizou.

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