Do g1

Foto: Pablo Sanhueza/Reuters

“Claro, desejamos muito sucesso a Lula. Para que vamos esconder? Tomara que tenha um ótimo resultado nas próximas eleições”, disse o recém-empossado presidente do Chile, Gabriel Boric, na manhã desta segunda-feira (14).

Na última sexta-feira, Boric recebeu a faixa presidencial em uma cerimônia na cidade costeira de Valparaíso, mas que só terminou à noite na capital Santiago, com uma multidão ao redor do Palácio de La Moneda, sede do poder executivo do país.

“Ele foi meu convidado para a posse, mas decidiu não vir justamente por diferenças diplomáticas, para não gerar um incidente diplomático. Uma atitude que depõe a seu favor. Espero que tenhamos uma relação muito boa daqui por diante, mas claro que vamos respeitar o que decidir o povo brasileiro. Mas, fica nítido onde está o nosso coração”, disse o presidente Boric com relação à ausência do ex-presidente Lula na cerimônia de posse, para foi seu convidado de honra.

Lula não veio, mas mandou Dilma Rousseff. A ex-presidenta acompanhou a posse no Salão Nobre do Congresso do Chile, junto a outros convidados brasileiros, entre eles Juliano Medeiros, presidente do PSOL, e Anielle Franco, diretora do Instituto Marielle Franco.

“Estive alguns minutos com Dilma e também com o presidente do PSOL. Em outro momento também conversei com Celso Amorim e com dirigentes sociais do MST. Também queremos aprender dos problemas que o PT teve em seu momento. Queremos aprender para que não aconteça conosco. E, se acontecer, que possamos enfrentar de maneira decidida. Os casos de corrupção, por exemplo, que sabemos que são graves e que, quando acontecem, temos que ter uma reação muito firme, para que isso não se estenda”, disse Boric.

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O Governo Federal enviou o vice-presidente Hamilton Mourão que, ao ser indagado sobre a ausência do presidente Jair Bolsonaro disse apenas: “Ele mandou um representante!”. Durante a visita ao Chile, Mourão se reuniu com Boric na semana passada.

“Para todos é evidente que somos radicalmente distintos com relação ao presidente Bolsonaro e sua ideologia. Isso não tem sentido esconder, nem por diplomacia. Isso não significa que tenhamos que cortar relações com o Brasil. Significa que não temos semelhanças e que temos uma forma muito diferente de ver o mundo e de fazer política, em matéria de respeito às diversidades, em matéria de consciência sobre a crise climática, em matéria de respeito aos direitos humanos, por exemplo. Mas o povo brasileiro o elegeu e nós respeitamos o povo brasileiro”

Relações Brasil-Chile

Embora o Brasil tenha como principais destinos de suas exportações China, Estados Unidos, Argentina e Holanda, o Chile é o quinto país que mais recebe produtos brasileiras. Em 2021, cerca de 2,5% das exportações brasileiras foram destinadas a este país, o equivalente a cerca de US$ 7 bilhões. De acordo com os dados da Subsecretaria de Relações Econômicas do Chile, os principais produtos brasileiros que chegam ao país são, nesta ordem, feijão, soja, minerais de ferro e seus concentrados e petróleo não refinado.

“O Brasil é um gigante e nos interessa ter a melhor relação com o povo brasileiro e também contribuir para que todas as riquezas que o Brasil tem, e que são parte do patrimônio da humanidade, como a floresta Amazônica, sejam cuidadas e respeitadas, porque isso importa a todos”, disse Boric.

Por sua vez, o Brasil também é um mercado importante e estratégico para o Chile. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil concentra a maior parte dos investimentos externos do Chile no mundo, que juntos somam cerca de US$ 35 bilhões. Isso representa cerca de 12% do PIB do Chile. O Brasil investe cerca de US$ 3,8 bilhões no Chile.

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Os dois países também contam com um Acordo de Livre Comércio, assinado ainda no mandato do ex-presidente Michel Temer, em 2018. O texto abrange temas como investimentos, serviços, indicações geográficas, compras governamentais, barreiras sanitárias e fitossanitárias e simplificação aduaneira.