Publicado às 16h49 desta terça (30)

Pesquisadora serra-talhadense consegue aprovação para Pós-Doutorado na Concordia University – Montreal, no Canadá, para desenvolver pesquisa científica sobre um novo método de tratamento menos invasivo contra o câncer. Keyla Mirelly Nunes de Souza, 31 anos, é moradora do bairro São Cristóvão e está de malas prontas para voar rumo a mais uma conquista tanto para ela, quanto para a sociedade.

Keyla fez o ensino fundamental na extinta Escola Park, em Serra Talhada, e o ensino médio no Colégio Imaculada Conceição. É graduada em Licenciatura em Química pela UAST, mestra em Química, com ênfase em Físico-Química Teórica pela UFRPE, e doutora em Ciência de Materiais pela UFPE. Durante o doutorado, fez um estágio na Universidade de Aveiro em Portugal.

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Desde do 3º período da graduação começou a desenvolver projetos de iniciação científica na área de Química Teórica através do Programa de Iniciação Científica (PIC). Após 1 ano de graduada iniciou o mestrado, durante este intervalo de 1 ano, ela foi professora substituta da UAST. Ao concluir o mestrado, iniciou o doutorado com a oportunidade de fazer um doutorado sanduíche numa universidade conhecida mundialmente pela comunidade científica.

”Quando eu terminei o doutorado, passei um período fazendo projetos para o CNPq, veio a pandemia, os editais demoraram, mas ano passado consegui financiamento pela FACEPE para desenvolver um projeto, só que eu queria mais, porque essa parte da minha pesquisa é teórica computacional e eu queria trabalhar com parte experimental que foi o que aprendi na Universidade de Aveiro”, disse a pesquisadora, continuando:

”Entrei em contato com o meu orientador do mestrado e o meu orientador de Portugal e perguntei se conheciam algum grupo de pesquisa que tivesse com algum tipo de financiamento e entraram em contato com três professores, um do Canadá e esse do Canadá disse que tinha chamada de financiamento disponível e podia supervisona meu trabalho. Trocamos as ideias, escrevi o projeto, ele fez umas correções e a gente submeteu e deu tudo certo.”

Veja também:   Confusão em bairro de ST termina com menor quase matando a mãe

EXPERIÊNCIA NO CANADÁ

Na pesquisa que ela vai desenvolver no Canadá irá utilizar um nanotermômetro que desenvolveu na Universidade de Aveiro, onde fez o doutorado sanduíche, e esse termômetro será utilizado na termoterapia, um procedimento em fase de estudo para tratamento de câncer. Segundo Keyla, como as células cancerígenas têm uma energia cinética em relação às células normais a temperatura dessas células é maior, logo a detecção do câncer na região daquela célula, que está sendo reproduzida de forma mais acelerada, consegue ser detectada com mais precisão.

”Quando uma pessoa tomas os remédios da quimioterapia acaba atingindo todas as células por isso que as pessoas perdem cabelo, ficam com as unhas mais fracas e um dos objetivos de todas as pessoas que trabalham com tratamento de câncer é justamente tratar aquela região, aquele ponto específico. Vários métodos são estudados hoje pela comunidade científica mundialmente que visa tratar o câncer de forma menos invasiva e esse tratamento de termoterapia é o que a gente vai fazer lá”, explicou a pesquisadora.

UM LAMENTO

Apesar de ter conseguido uma grade oportunidade como pesquisadora, Keyla revelou ao Farol que se sente triste pelo seu país ter investido tanto nas suas pesquisas durante a graduação, o mestrado e doutorado e não ter aprovado o financiamento sua atual pesquisa no país e ter sido aprovado por outra nação.

”Óbvio que eu sou grata ao governo brasileiro por trazer a UAST para Serra Talhada com o programa de interiorização das universidades, eu recebi financiamento desde a minha graduação, eu fui aluna PIC, eu fui aluna PIBID, no meu mestrado recebi bolsa, no doutorado também, fui para Portugal com financiamento do Brasil. Mas, acho que é muito triste o fato de o Brasil ter investido tanto em mim e em tantos outros cientistas e pesquisadores e esse mesmo projeto de pesquisa, exatamente o mesmo que mandei para o Canadá e foi aprovado lá e não foi aqui. Eu mandei para o CNPq e não foi aprovado, apesar de ter o merecimento reconhecido, não havia financiamento disponível. No entanto, eu pretendo voltar, nas condições de professora, meu sonho sempre foi ser professora desde criança, então quero voltar como professora em alguma instituição pública de ensino superior, que seja federal, para poder continuar tanto ensinando quanto pesquisando”, finalizou.

Veja também:   Frango, filé mignon e picanha sobem mais que inflação em 12 meses