Delegado Jorge Pinto do GOE detalhou a operação
Delegado Jorge Pinto do GOE detalhou a operação

O delegado Jorge Pinto, integrante do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), concedeu entrevista nesta quinta-feira (21) detalhando a operação que ocorreu em Serra Talhada nessa quarta (20) que desarticulou uma quadrilha que atuava comercializando ilegalmente armas de fogo, segundo a investigação.

De acordo com o delegado, a Polícia Civil apurava inicialmente um crime de homicídio na cidade e foi a partir dessa investigação que se descobriu uma ampla rede de compradores e revendedores de armas, munições e acessórios que depois inseriam esses artefatos no mercado paralelo em Serra Talhada e região.

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“Após mapear toda essa rede, se faz uma primeira fase com 11 pedidos de busca domiciliar deferidos, afastamento cautelar da função de alguns agentes públicos, e essa ação foi extremamente exitosa e já demonstrou o acerto de nossa investigação, porque nesse primeiro momento foram realizadas três prisões em flagrante confirmando que de fato havia armas ilegais nas mãos daquelas pessoas que a gente já sabia que estariam fazendo essa revenda clandestina”, disse Jorge Pinto, detalhando a entrada de uma loja em Serra Talhada no esquema:

“Em um segundo momento, com o avançar das investigações, a gente consegue perceber que havia uma loja em Serra Talhada, um clube de tiro, que agia sob o manto da aparente licitude, porque era feito o recrutamento de laranjas. A gente não via inicialmente no ato de aquisição, entre fábrica e loja, qualquer ilegalidade, mas essa ilegalidade fica clara no ato de saída da mercadoria, porque laranjas eram recrutados, principalmente no que toca às munições, e essas munições eram retiradas em nome de laranjas que detinham no papel a autorização para estar fazendo essa aquisição. Só que na verdade essas munições ou armas de fogo caíram nas mãos de terceiros, fazendo um aumento exponencial de crimes e violências na região”.

CLUBE TEVE ATIVIDADE SUSPENSA

De acordo com o delegado do GOE, Jorge Pinto, um clube de tiros em Serra Talhada teve a atividade suspensa. “O clube teve atividade suspensa, tanto o clube quanto a sede e a loja, e foi determinado o recolhimento de todo o material bélico que culminou com a apreensão de 57 armas de fogo, entre elas um fuzil, armas de calibre 12, além de quase 4 mil munições somado às duas fases”, disse o delegado do GOE.

ENVOLVIMENTO DE SERVIDORES PÚBLICOS

Segundo os investigadores, servidores públicos tinham facilidade em adquirir os armamentos e munições e depois faziam o repasse dos objetos para terceiros. Jorge Pinto disse que a quadrilha tinha um segundo núcleo, envolvendo também comerciantes que foram identificados contribuindo para manutenção do esquema.

“Esses servidores dispunham da facilitação pela sua condição documental ou eram atiradores, mas a gente prefere não expor a função por hora para não atrapalhar, até porque o processo se encontra em segredo de justiça, mas eram compradores e que faziam a revenda, e paralelamente a eles havia um segundo núcleo dessa organização que era composto por pessoas que agiam no exercício de atividade comercial, e que também encontravam facilitações aumentadas pela desorganização administrativa, pela falta de controle no ato de entrada e saída de armas, munições e acessórios.”

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“Dois dos agentes públicos envolvidos eram de fora de Pernambuco, um deles do estado da Paraíba e o outro da Bahia. Então a gente entende pela capilaridade dessa organização criminosa e até pela proximidade do município com os estados da região Nordeste”, disse o delegado.

Veja a entrevista sobre a operação abaixo