Dois caçadores morrem com suspeita da 'doença cervo zumbi'
Cervo mula – Foto: Divulgação/NPS/Neal Herbert

Da Folha de PE

Dois caçadores dos Estados Unidos morreram por uma doença causada por príons – distúrbio neurodegenerativo raro, mas letal, em que uma proteína natural do organismo começa a se transformar num agente agressivo e infeccioso, transmissível a outros indivíduos, chamado príon.

No entanto, o que mais preocupou os pesquisadores é que os casos aparentam ser de uma forma da doença de príon chamada de Enfermidade Debilitante Crônica (EDC), ou Chronic Wasting Disease (CWD), que acomete apenas cervos e espécies próximas.

Embora os cientistas pontuem que ainda “nenhuma evidência conclusiva” tenha sido encontrada, a suspeita acende um alerta sobre a potencial disseminação da patologia, conhecida como ‘doença do cervo zumbi’, para seres humanos.

Os óbitos dos caçadores ocorreram em 2022. Os pesquisadores começaram a monitorar o caso depois que um deles, de 72 anos, procurou ajuda médica após apresentar confusão e agressividade. Um amigo dele havia morrido pouco antes diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma forma de doença de príon que sabidamente acomete humanos.

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Apesar do tratamento, o quadro do paciente se deteriorou e ele morreu um mês após buscar ajuda. No entanto, o fato de o amigo dele ter morrido há pouco tempo com o mesmo quadro acendeu o alerta dos médicos. Os pesquisadores descobriram que ambos haviam consumido carne de um cervo infectado com a EDC.

“A EDC, uma doença priônica predominante nos cervos norte-americanos, tem suscitado preocupações devido à sua possível ligação com a DCJ. Embora não existam evidências conclusivas de transmissão de príons entre espécies, a vigilância de tais casos é fundamental para a saúde pública”, escreveram os pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em San Antonio, que relataram os casos em estudo publicado na revista científica Neurology.

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Ainda assim, eles concluem que “podem ocorrer grupos de casos esporádicos de DCJ em regiões com populações de cervos confirmadas como portadores de CWD, o que sugere uma possível transmissão de príons entre as espécies”. “A vigilância e outras pesquisas são essenciais para entender melhor essa possível associação”, defendem.

Nas décadas de 1980 e 1990, por exemplo, houve um grande temor em relação à encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecida como “doença da vaca louca”, uma doença causada por príons encontrada em bovinos.

De acordo com as estatísticas mais recentes da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, 232 pessoas em todo o mundo morreram de uma variante da doença de Creutzfeldt-Jakob que foi ligada à doença da vaca louca.

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E esse medo de que doenças de príons de animais possam passar para humanos tem crescido. Em meio ao avanço de casos da CWD em cervos no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, mais cedo neste ano, cientistas alertaram sobre os riscos para as pessoas.

— Em nossos modelos experimentais, é muito provável que ela possa infectar humanos. Isso já aconteceu antes? Não há nenhuma evidência positiva que permita afirmar que um ser humano teve esta doença devido ao consumo de carne de cervo (…) Mas isso acontecerá no futuro? Muito provavelmente, sim — disse em fevereiro Hermann Schätzl, reitor associado de pesquisa da Escola de Veterinária da Universidade de Calgary, no Canadá, ao jornal britânico The Guardian.