Escrever à mão ou digitar? O que é melhor para o cérebro
Alunos deveriam escrever suas próprias biografias post-mortem – Foto: Freepik.com

Da Folha de PE

Escrever à mão pode parecer uma atividade de um passado distante para uma sociedade cada vez mais acostumada a organizar tarefas, fazer anotações e redigir textos em dispositivos digitais.

Mesmo para gerações mais novas, computadores são gradativamente mais frequentes em salas de aula devido à rapidez dos teclados e à praticidade de concentrar um mundo de informações num único lugar.

No entanto, um novo estudo mostra que substituir a caneta completamente pelas teclas pode não ser uma boa ideia.

Cientistas do Laboratório de Neurociência do Desenvolvimento da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega (NTNU) avaliaram 36 estudantes universitários com um eletroencefalograma (EEG) – exame que analisa a atividade elétrica cerebral, captada por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo.

Eles foram acompanhados enquanto escreviam à mão e por meio da digitação.

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Os resultados, publicados nesta sexta-feira na revista científica Frontiers in Psychology, mostraram que escrever com uma caneta aumenta a conectividade cerebral em diferentes regiões do órgão, o que não foi observado com a digitação no teclado.

“Mostramos que, ao escrever à mão, os padrões de conectividade cerebral são muito mais elaborados do que ao escrever num teclado. Essa conectividade cerebral generalizada é conhecida por ser crucial para a formação da memória e para a codificação de novas informações e, portanto, é benéfica para a aprendizagem”, destaca a professora Audrey van der Meer, pesquisadora do cérebro na universidade e autora do estudo, em comunicado.

No trabalho, os dispositivos digitais não foram completamente descartados – a avaliação foi feita com os participantes escrevendo à mão com canetas digitais em tablets.

Mas os responsáveis afirmam que os resultados provavelmente são os mesmos que seriam observados com um papel.

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“Mostramos que as diferenças na atividade cerebral estão relacionadas à formação cuidadosa das letras ao escrever à mão e ao mesmo tempo fazer maior uso dos sentidos”, explica van der Meer. “Nossas descobertas sugerem que as informações visuais e de movimento, obtidas por meio de movimentos das mãos controlados com precisão ao usar uma caneta, contribuem extensivamente para os padrões de conectividade do cérebro que promovem a aprendizagem”.

No experimento, os eletroencefalogramas foram conduzidos com o auxílio de 256 sensores, costurados numa rede que era colocada na cabeça dos voluntários enquanto escreviam.

Impactos na aprendizagem

Segundo os pesquisadores, esse menor estímulo cerebral associado à digitação pode levar a prejuízos no aprendizado de crianças alfabetizadas com as telas.

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“Isso também explica por que as crianças que aprenderam a escrever e ler em um tablet podem ter dificuldade em diferenciar letras que são imagens espelhadas umas das outras, como ‘b’ e ‘d’. Elas literalmente não sentiram com seus corpos como é produzir essas letras”, diz a cientista norueguesa.

Para ela, o objetivo não é abolir o uso de aparelhos digitais e restringir a educação a livros e cadernos. Mas sim entender os benefícios da escrita à mão e em quais momentos priorizá-la pode ser uma boa estratégia para o desenvolvimento dos alunos em sala de aula:

“Há algumas evidências de que os alunos aprendem mais e se lembram melhor quando fazem anotações de aula manuscritas, enquanto usar um computador com teclado pode ser mais prático ao escrever um texto longo ou ensaio, por exemplo”.