Foto: Farol de Notícias/Max Rodrigues

Publicado às 05h desta quinta-feira (27)

Na semana passada foi celebrado em todo o Brasil o Dia Nacional de Combate à Exploração Infanto Juvenil. Já na última segunda-feira (24), durante o programa Falando Francamente, na TV Farol no YouTube, a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Patrícia Silva, e a psicóloga Nivânia Fonseca, alertaram para o crescimentos dos casos de abusos em Serra Talhada. Em 2020, foram sete meninas abusadas e cinco meninos, e neste ano, cinco meninas e um menino foram violentados.

“A faixa etária vai de meninos de 9 a 12 anos, meninas de 3 anos, ainda na primeira infância, até os 16 anos, a maioria deles são intra-familiar, poucos casos são fora da família, é sempre alguém do convívio da criança, a gente precisa quebrar esse estigma de que o agressor é uma pessoa violenta, ele tenta ganhar confiança dessa criança, depois é que começa a questão do medo, da indução do silêncio”, explicou Patrícia Silva. Ainda durante a entrevista, a psicóloga fez questão de informar que no estágio de abuso, mesmo em silêncio, a criança emite sinais que a família precisa ficar atenta e acompanhar tudo de perto.

ASSISTA À ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NA TV FAROL

 

“Nós temos um costume feio de querer que o meu filho seja muito sociável, converse, abrace todo mundo e a gente não para em saber o motivo que ele não gosta de abraçar aquela pessoa, se ele tem um desconforto em relação a isso, simplesmente por ser uma criança não socializou ainda com determinada faixa etária ou porque ele tem alguma aversão àquela pessoa, se seu filho não quer ficar próximo a um tio ou a um amigo da família, desconfie. Outro ponto que me chama atenção é a falta de diálogo, porque falamos muito sobre o diálogo e não para pensar como está sendo feito dentro de casa e muitas vezes isso ocorre de uma forma impositiva”, disse Nivânia Fonseca, acrescentando:

“É preciso chegar junto dessa criança de acordo com a linguagem dela e começar a conversar, perguntar como foi na escola, se não conseguir logo, insista, pois é preciso chegar junto a partir do momento que a gente faz essa campanha, eu consigo fazer um alerta, da mesma forma é dentro de casa, desconfie do baixo rendimento, do isolamento, da rebeldia para chegar na criança e conseguir buscar essas informações”.

A psicóloga também chamou a atenção para sintomas que podem levar, inclusive, ao suicídio. “A gente chama atenção para a automutilação, que é aquele adolescente que está se machucando, tentando se punir e infelizmente a gente tem esse discurso de que é o culpado e aí eu pergunto: qual é a culpa que uma criança tem? Que ainda está se desenvolvendo, que ainda não tem essa compreensão de mundo, que ainda não sabe dizer o que é uma relação sexual, que não compreende ainda as consequências disso”, reforçou.