Filhos choram após perda de mãe para Covid em ST

Publicado às 05h30 deste domingo (9)

O Dia das Mães de 2021 será uma data dolorosa para milhares de brasileiros, pois, lamentavelmente, a Covid-19 tirou a vida de muitas matriarcas e de muitos filhos que partiram antes das suas amadas mamães. Muitos inclusive irão passar por esse dia tentando buscar forças para conformar-se apenas com as memórias de quem tanto desejamos que jamais parta.

Em solidariedade a dor de todos que perderam a mãe, sobretudo vítimas do coronavírus, o Farol faz uma homenagem a todas as que partiram e deseja muita força e luz para os filhos através de Adinaide Nunes de Magalhães, 52 anos, servidora da XI GERES que faleceu dia 11 de março no Hospital Eduardo Campos, após passar 11 dias intubada. Ela deixou 5 filhos, Adrícia Gabrielle, Ivan Anderson, Ilton Carlos, Ivo José, Amanda Wedja e 9 netos.

FAROL VISITOU FILHA

Para tanto, a reportagem do Farol visitou a filha Adrícia Gabrielle Magalhães de Souza, 34 anos, moradora do bairro Vila Bela, nesta quinta-feira. Ela é artesã e trabalha com manutenção de computadores e é mãe de Maria Valentina, 6 anos, e de José Bernardo, 2 anos. Adrícia está desolada pela perda da mãe, por não poder comemorar o Dia das Mães como costumavam fazer e principalmente pela forma que a mãe se foi.

”O Dia das Mães vai ser muito difícil sem ela, a gente sempre se reunia para almoçarmos juntos, ela adorava cozinhar e a gente sempre comemorava com ela. Tinha ano que não dava para estar todos juntos, mas a gente sempre comemorava, sempre juntava os 5 filhos para comer aquele almoço gostoso que ela sempre fazia, mãe né! A gente já tinha planos antes dela adoecer, dos 5 se reunir e comprar a televisão que ela sempre queria para assistir as coisinhas dela. Esse Dia das Mães para mim não vai ter essa data,” lamentou, continuando:

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”Eu sei que eu sou mãe, tenho 2 filhos pequenos e eles ainda não entendem a perda de óbito, mas é claro que o carinho dos filhos a gente aceita, é um dia muito importante para uma mulher, mas a dor da perda dela vai ser muito difícil para todos nós. Meus irmãos também estão como eu, é muito difícil aceitar, mas estamos vivendo um dia de cada vez, cada um com sua rotina, temos que seguir a vida.”

1ª VEZ SEM PODER ABRAÇAR A MÃE

Além de relatar o pesar de ter que chegar o 1º domingo de maio sem poder abraçar sua mãe, Adrícia também falou sobre a maternidade e como ama ser mãe, que é a melhor experiência que vive e que é muito importante na vida de uma mulher. Ela cuida dos filhos sozinha, trabalha pra si e no seu espaço de trabalho consegue fazer artesanato, atender aos clientes, fazer o trabalho de manutenção de computadores e outra série de atividades, tudo isso com os filhos sempre ao lado.

”Ser mãe é maravilhoso! Mãe sempre dizia que os filhos dela e os netos eram tudo para ela. Todo mundo que a conhecia sabia desse amor incondicional que ela tinha pela família dela. Minha mãe era sempre presente e querida, todo mundo conhecia ela. Como mãe, digo que é a melhor experiência da minha vida, meus filho são tudo para mim e é por isso que estou aqui. Só peço a Deus que eu possa criá-los até a vida adulta porque a gente não sabe o dia de amanhã com essa pandemia, mas peço que eu possa criar meus filhos.”

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MEMÓRIAS DOLOROSAS

Durante a entrevista ao Farol, Adrícia relatou, em lágrimas, como foram os últimos dias de Dona Adinaide após contrai a Covid-19. Segundo ela, antes da mãe ser internada no Hospital Eduardo campos, ela foi ao Hospam duas vezes na mesma semana com muita tosse e mal estar, mas como a saturação não estava muito baixa não ficou internada. Dois dias depois, no sábado (27), ela chegou ao estado crítico e chamou os Bombeiros para levá-la para o HEC e de imediato já foi intubada.

”Desde do dia 27 que não falamos mais com ela, sei que tem distância, mas deveria ter algum modo da família participar mais, eu sei que tem os protocolos, mas é desumano. A gente só tinha notícias a cada 3 dias, vinha uma mensagem bem técnica com os parâmetros que não a gente nem entende. No dia que fui assinar os documentos, eu pedi para falar com o médico e ele teve a boa vontade de vir falar com a gente e explicou tudo como foi, ela foi bem assistida, ele foi super gente boa, ali foi uma mensagem humana e de certa forma diminuiu um pouco do peso no peito da gente. É claro que não diminuiu a dor de perder uma mãe, mas foi bom a gente entender, não foi negligencia médica, ela foi muito bem cuidada, mas infelizmente é a covid”, afirmou a filha.

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ALEGRIA CONTAGIANTE

Adinaide Magalhães era uma mulher de uma alegria contagiante, que sempre encarava a vida com leveza independe dos problemas, era uma pessoa amiga e muito queria em Serra Talhada como afirma Adrícia: ”Ela vinha trabalhar todos os dias, na maior alegria do mundo, ela era muito alegre, podia estar com o problema que fosse, mas ela sempre estava com um sorriso largo, por onde passava fazia amizade. Amizade e alegria contagiante, radiante. Ela conhecia muita gente, eu até brincava com ela dizendo: mainha eu acho que a senhora vai ser vereadora”, disse continuando:

”É muito difícil a perda de uma mãe, principalmente para a covid. Eu participei do cortejo, mas de longe. É bem rápido e de certa forma um pouco desumano porque a gente não tem como chegar perto, velar. Até agora não deu para aceitar bem, ela era uma pessoa nova e muita gente me pergunta se ela era doente, mas não, ninguém dizia que ia chegar a esse ponto. Eu, como filha, tenho um peso dentro de mim que até hoje eu não aceito, porque ela? É uma coisa que só Deus entende, mas temos que seguir”, lamentou a filha enlutada.

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