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Foto: Arquivo pessoa

Kaká D’Ávila, de 40 anos, pedala pelas ruas da periferia de Porto Alegre (RS) com um objetivo nobre: ajudar pessoas em busca de uma oportunidade de emprego. O servidor público dedica seu tempo livre ao projeto Pedalando e Empregando, que criou após se comover com o número de pessoas desempregadas na cidade.

“A gente sabe que quem está desempregado muitas vezes não tem condições financeiras para imprimir um currículo, tirar uma cópia, pegar o transporte público para sair, e muitas vezes, não tem nem internet para enviar por e-mail.”

O servidor relata que bate de porta em porta nas comunidades que visita e pergunta se há alguém desempregado naquela casa. Nos casos em que a pessoa não tem um currículo pronto, ele ainda ajuda na elaboração. “É impressionante, porque se a pessoa não está desempregada, ela sabe um vizinho, um familiar, alguém que de fato esteja. São muitas, mas muitas pessoas desempregadas”, conta ele.

Com os currículos no cestinho, Kaká passa pelas empresas que sabe que estão contratando e distribui os papéis. A iniciativa começou em abril, mas ele trabalhou durante 20 anos em agências de emprego e tem uma grande rede de contatos na área.

“Eu procuro fazer esse tipo de ação justamente para chamar atenção por dois motivos: para que sirva de inspiração para outras pessoas e também para chamar atenção da empresa”, diz. “Quando eu chego com essa bike, é uma receptividade muito grande, as pessoas gostam, elogiam, sabe? Se impressionam.”

Kaká, no entanto, relata que muitas empresas não dão valor a um currículo, mas que é importante valorizar quem está por trás daquele papel.

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“Eu já estive desempregado, já morei nas ruas, eu sei o quanto é difícil. Eu costumo dizer que não são apenas currículos, são vidas. Atrás de cada currículo, tem uma vida que merece respeito, que merece uma oportunidade”, finaliza.