Do g1

Foto: Evgeny Feldman/Reuters

Em 2012, o então procurador-geral da Rússia, Aleksandr Bastrykin, levou o secretário-executivo do jornal “Novaya Gazeta” para uma floresta perto de Moscou. Lá, ele ameaçou a vida do jornalista e, rindo, disse que seria ele mesmo quem iria investigar a morte. A história foi publicada pelo editor-chefe do “Novaya Gazeta”, Sergey Muratov. Muratov foi um dos vencedores do prêmio Nobel da Paz neste ano, ao lado de Maria Ressa, das Filipinas.

Os jornalistas russos levaram a ameaça de 2012 a sério porque pessoas do “Novaya Gazeta” já tinham sido assassinadas. De 1993, quando foi fundado, até hoje, seis pessoas da redação do “Novaya Gazeta” foram mortos, afirmou a presidente do comitê do Prêmio Nobel da Paz, Berit Reiss-Anderson.

Todas mortes ocorreram depois que Vladimir Putin chegou ao poder na Rússia.

Uma das primeiras vítimas de assassinato da redação foi Yuri Shchekochikhin, que, além de repórter, era um parlamentar. Ele morreu em 2003 de uma doença misteriosa na pele —a “Novaya Gazeta” concluiu que foi um envenenamento. O repórter estava com viagem marcada para os Estados Unidos, onde iria participar de reuniões com agências de informação americanas.

O caso mais famoso, que foi citado na premiação do Nobel, é 2006. Anna Politkovskaya, que fazia uma cobertura crítica do governo russo na Chechênia, foi assassinada. A morte dela foi interpretada como uma resposta ao seu trabalho. Ninguém foi condenado.

Em 2009, houve dois assassinatos: Anastasia Boburova, uma outra jornalista do “Novaya Gazeta”, foi assassinada com tiros na rua. E uma colaboradora do jornal, Natalia Estemirova, foi sequestrada e assassinada na Chechênia.

Jornal de Gorbachev
A “Novaya Gazeta” é tido como um jornal que frequentemente se choca com as autoridades da Rússia responsáveis pela lei.

Um dos donos do jornal é o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev —aliás, para fundar a “Novaya Gazeta” ele usou o dinheiro do prêmio Nobel que ele mesmo venceu. Há outros donos, como um ex-agente da KGB (o serviço secreto soviético) que se tornou um banqueiro e a própria equipe, que também é sócia.

Maria Ressa, a outra vencedora do Nobel da Paz

O Rappler é uma empresa digital fundada por Ressa em 2012. O jornal fez várias reportagens sobre a guerra contra as drogas nas Filipinas —no país, até mesmo pessoas suspeitas de terem usado drogas correm risco de vida.

O site é um dos veículos de informação mais conhecidos nas Filipinas. O site tem uma redação jovem e que é crítica ao presidente Rodrigo Duterte.

Uma parte grande do trabalho do Rappler é desmentir a campanha de desinformação do governo, especialmente em redes sociais.