camarãoMorreu nesta terça-feira (21), aos 74 anos, o cantor e sanfoneiro pernambucano Reginaldo Alves Ferreira, conhecido como Camarão. Ele estava internado no Hospital Santa Joana, na área central do Recife, e teve complicações por conta de uma infecção no intestino. A família ainda não definiu local e horários de velório e sepultamento. Camarão era considerado “Patrimônio Vivo de Pernambuco” desde 2002.

Nascido em 23 de junho de 1940 no município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, o sanfoneiro ficou conhecido como Camarão após o cantor Jacinto Silva ter feito menção às suas bochechas avermelhadas durante um show para uma rádio da região. Mestre no instrumento, ele contabilizou mais de 50 anos de carreira dedicados ao xote, xaxado, forró e baião.

O ofício aprendeu com seu pai, o sanfoneiro Antônio Neto, que sempre o levava para as festas onde tocava. Em seu trabalho na Rádio Difusora de Caruaru, Camarão pôde ter contato com grandes nomes ilustres da música nacional, como Sivuca e Hermeto Pascoal. Mais tarde, no entanto, aperfeiçoaria sua técnica com um dos maiores ícones da música nordestina, Luiz Gonzaga, com quem gravou a canção Garoto do Grotão, em 1978. O rei do baião foi ainda o produtor dos dois primeiros álbuns da Banda do Camarão, o primeiro conjunto de forró do Brasil.

O mestre também participou da Orquestra Sanfônica de Carurau, introduzindo ao ritmo regional arranjos de sax, trompete e trombone. Camarão participou de inúmeros shows do Trio Nordestino, Santanna, Marinês e Dominguinhos. Em 2002, apresentou-se com sucesso no projeto Sanfona Brasil em São Paulo, que reuniu especialistas no instrumento de todo o país, como Arlindo dos Oito Baixos, Zé Calixto, entre outros.

Veja também:   Dois homens são assassinados a tiros

Residindo no Recife desde a década de 80, Camarão ministrou aulas de sanfona na Escola Acordeom de Ouro, fundada por ele mesmo no bairro de Areias, onde morava. Sobre a experiência com ensino, Camarão revela: “Para mim foi uma coisa que nasceu espontaneamente. Já ensinei mais de 100 pessoas e um bocado já virou profissional”. A paixão pela música contaminou seus quatro filhos, dos quais um deles, Sérgio, tem um apego especial pela sanfona.