Os cubanos que chegarão a partir da próxima semana a cidades do interior de Pernambuco vão encontrar ambientes bem diferentes do que viram nas visitas a algumas unidades básicas de saúde na capital do Estado.

Infiltração, mofo, estruturas enferrujadas, equipamentos quebrados e unidades que funcionam de forma improvisada foi a realidade encontrada pela Folha em municípios do agreste pernambucano que receberão cubanos.

Esses municípios que receberão os cubanos são aqueles em que nenhum profissional brasileiro ou estrangeiro inscrito no Mais Médicos demonstrou interesse na primeira fase do programa federal.

O município de Frei Miguelinho (a 151 km do Recife) solicitou quatro médicos, mas receberá apenas um, que trabalhará no distrito de Capivara, na zona rural.

A mesa em que o médico trabalhará está enferrujada, assim como a escadinha que o paciente usa para alcançar a mesa de exames.

Há seis meses a geladeira que deveria guardar vacinas e medicamentos está quebrada. Há um ano não chega água nos dois banheiros da unidade, que também servem de depósito para material de limpeza. A água para descarga fica em baldes destampados na sala da enfermeira.

A situação não melhora na minúscula unidade de apoio, a sete quilômetros do posto de saúde principal. Lá, as vacinas chegam em isopor porque, como o cartaz na porta avisa, a geladeira está desativada.

Em Santa Maria do Cambucá (a 145 km do Recife), o posto de saúde que fica na cidade precisa de ampliação para atender todos os meses a uma demanda local de 1.500 famílias.

Assim como todos os outros visitados pela reportagem, não atende integralmente às especificações da Política Nacional de Atenção Básica. A sala da enfermeira, por exemplo, funciona em uma garagem.

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A Folha não conseguiu chegar ao posto de saúde que deve receber uma médica cubana em Sobradinho, zona rural de Salgadinho (a 111 km), porque chovia, e a estrada de terra que leva à unidade estava intransponível. Em postos da zona urbana, o grande problema são mofo e infiltrações.

Fátima Lopes, secretária de Saúde de Passira, município a 100 km do Recife e que receberá três cubanos (quantidade recorde no Estado) afirma que, além do mofo, há carências de infraestrutura nas três unidades contempladas.

“A estrutura não está conservada. A manutenção não vinha acontecendo há anos”, afirmou.

Representantes das administrações de todos os municípios informaram que as unidades estão inscritas no Requalifica, programa do Ministério da Saúde que prevê recursos para construção, reforma e ampliação dos postos de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, a unidade de Frei Miguelino deve passar por obras de ampliação no valor de R$ 87 mil. Ainda segundo a pasta, o município de Santa Maria do Cambucá também deve receber recursos. O valor não foi informado. O ministério afirma ainda que irá investir R$ 15 bilhões até 2014 na expansão e melhoria da rede pública de saúde do país.

( Da Folha de São Paulo )