Do G1 Mundo

Foto: Lesly Moyano/Reuters

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de várias cidades da Bolívia para protestar contra o atual presidente, Luis Arce, e a prisão da ex-presidente Jeanine Áñez por suspeita de golpe de Estado contra Evo Morales em 2019.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e os Estados Unidos expressaram preocupação com o novo clima de tensão política na Bolívia.

“Não foi golpe. Foi fraude”, diziam cartazes de manifestantes que, com a pandemia como pano de fundo, participaram de marchas, manifestações em frente ao Ministério Público e concentrações pacíficas em praças das cidades de La Paz, Cochabamba (centro), Sucre (sudeste), Trinidad (noroeste) e Santa Cruz de la Sierra (leste).

Em Santa Cruz, capital econômica da Bolívia e bastião da oposição, cerca de 40 mil pessoas se reuniram na praça Cristo Redentor, lugar emblemático de reuniões públicas da direita, segundo estimativas de autoridades locais.

Outros cinco ex-ministros de Áñez também foram detidos, e o governo do Peru informou que a ex-ministra Roxana Lizárraga solicitou asilo.

A oposição de direita e de centro acusa a Justiça boliviana de estar subordinada ao governo de Arce, herdeiro político de Morales. Já o ministro da Justiça, Iván Lima, disse que o “golpe deve ser resolvido na Justiça e não nas ruas”.

“O que buscamos não é uma detenção de quatro meses, o que buscamos é uma pena de 30 anos, porque aqui ocorreram massacres sangrentos”, disse o ministro sobre Áñez e os incidentes violentos registrados durante o governo da ex-presidente.

EUA e OEA se manifestam

Os Estados Unidos, a Comissão Europeia e a ONU expressaram preocupação pelos acontecimentos na Bolívia desde a prisão de Áñez.

“Os Estados Unidos estão acompanhando com preocupação os desdobramentos relacionados à recente prisão de ex-funcionários pelo governo boliviano”, disse Jalina Porter, porta-voz adjunta do Departamento de Estado.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, afirmou que “o sistema judicial boliviano não está em condições de oferecer as garantias mínimas de um julgamento justo” e pediu a liberação do detidos.

Pelo Twitter, o ex-presidente Evo Morales respondeu a Almagro afirmando que “ele também deve ser julgado por promover o golpe e por crimes contra a humanidade”.

Um relatório da OEA que apontou irregularidades nas eleições de 2019 foi usado pela oposição para pressionar Morales após a sua reeleição, e o então presidente acabou renunciando e fugindo para o México e, depois Argentina.

Posteriormente, um estudo independente analisou dados do relatório da OEA e concluiu que houve falhas na apresentação dos resultados.