O desabafo de um trabalhador na UAST: Entre o perigo do Sertão e a injustiça
Fotos enviadas ao Farol

Por Bruno da Silva Aleixo

Sou um homem simples, estudante universitário e, até há pouco tempo, jardineiro terceirizado na Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST/UFRPE). Sempre honrei meu trabalho, mas hoje venho a público quebrar o silêncio e pedir o socorro das autoridades e de um advogado que possa assumir a minha causa. O que a empresa Serval está fazendo comigo ultrapassa os limites da lei; mexe com a comida da minha filha.

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Fui desligado da empresa e, agora, eles estão condicionando a entrega do meu protocolo do Seguro-Desemprego à assinatura da minha rescisão. Isso é ilegal. Reter documentos essenciais para que o trabalhador acesse suas verbas de direito é uma prática abusiva que beira a criminalidade, ferindo o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana e o direito de livre acesso aos benefícios sociais (Artigo 5º, da Constituição Federal). O seguro-desemprego é um direito alimentar, e nenhuma empresa pode usá-lo como chantagem para forçar a assinatura de uma quitação com a qual o trabalhador não concorda.

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Eu só queria o meu protocolo para poder sustentar minha casa enquanto procuro outro rumo. Não pensava em acionar a justiça. Mas a ganância e o descaso da empresa me empurraram para o limite. Agora, faço questão de exigir tudo o que me foi negado.

Trabalhar na UAST como jardineiro significa estar na linha de frente do perigo extremo. A faculdade fica no meio da serra, uma região densa, viva, cheia de cobras e escorpiões peçonhentos. Mesmo diante desse risco diário à vida, a Serval nunca pagou o adicional de insalubridade ou periculosidade (Artigo 193 da CLT). Como se não bastasse, os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) sempre foram deficitários ou inexistentes para quem manuseia ferramentas pesadas e perigosas.

O descaso foi tanto que sofri um acidente de trabalho legítimo. Tive uma lesão grave simplesmente porque a empresa nunca me forneceu um par de óculos de proteção. A lei é clara: o artigo 166 da CLT obriga a empresa a fornecer EPIs adequados ao risco. A omissão da Serval me custou o sangue e a integridade física.

Não sou apenas um número em uma planilha de custos. Sou um pai que precisa alimentar uma criança, um aluno que tenta vencer na vida pelo estudo e um trabalhador que deu o suor por aquela terra.

Deixo aqui o meu apelo: Peço urgentemente a ajuda de um advogado de nossa região que tenha coragem de enfrentar essa injustiça e me ajude a cobrar a reparação por danos morais, o acidente de trabalho e todos os adicionais que me foram roubados. À Serval, deixo o aviso: a humilhação acabou. A justiça será acionada.

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