Publicado às 04h48 desta segunda-feira (9)

A série de fotografias publicadas nesta segunda-feira (9) marcam uma importante passagem da história de Serra Talhada e também de Pernambuco. Elas são datadas de setembro de 1950, e mostram o comício do então candidato a governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães.

O curioso das imagens é que a faixa que foi posta no alto do antigo correto da Praça Sérgio Magalhães, faz alusão ao adversário de Agamenon na disputa, o então Senador João Cleofas, que contava com o apoio de Getúlio Vargas e do PTB.

O que de fato se passou em 1950, é que existiu uma forte polarização entre PSD e UDN. Enquanto a capital se manifestava apoio pró Cleofas, a maioria dos prefeitos do interior – boa parte deles ainda ostentavam o título de Coronel – eram em sua maior pró Agamenon.

É importante destacar que a maior parte da imprensa pernambucana era pró João Cleofas, isso porque Magalhães ainda carregava consigo os resquícios deixados pela sua passagem como interventor federal, entre 1937 e 1945, quando foi instaurado no Brasil a ditadura de Getúlio Vargas, simbolicamente representada pela expressão “Estado Novo”.

Não se sabe o porquê da faixa durante o comício do PSD, o certo é que ela foi usada durante a atividade política da UDN, realizada no mesmo mês de setembro daquele ano, conforme fotos publicadas no Jornal Pequeno, do Recife.

O PSD (Partido Social Democrático) em Serra Talhada era comandado pelo prefeito Cornélio Soares e pelo Deputado Estadual Methódio de Godoy, é também pelos ex-prefeitos Luiz Lorena e Nenê Jurubeba, e o então vereador Argemiro Pereira.

Lideranças

A UDN (União Democrática Nacional) era liderada por Enock Ignácio, Vicente Ignácio (Seu Micena), pai de Inocêncio Oliveira, Oliveira Neto – pai de Sebastião Oliveira – João de Sindário, João Lucas, Dr. José Alves, entre outros.

Agamenon Magalhães venceu em Serra Talhada, apesar  da oposição ter feito várias denúncias envolvendo supostos fatos ilícitos durante a eleição e a apuração.

No final da história Agamenon acabou sendo eleito governador e terminado o mandato de forma prematura, em 24 de agosto 1952, quando foi vitimado por um mal súbito.

Passados mais de 60 anos do embate entre PSD e UDN, alguns sobrenomes familiares que figuravam com forte representatividade na política da época, curiosamente ainda exercem papel de protagonismo no dias atuais, entre essas famílias estão os Godoy, os Ignácio, os Oliveira, os Pereira, os Conrado e os Carvalho.

De alguma forma a política no Nordeste brasileiro nos remete ao formato de um círculo… Um eterno círculo!

 

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