G1

O Parlamento da Rússia aprovou nesta quarta-feira (11) mudanças na Constituição do país que vão permitir que Vladimir Putin permaneça outros 12 anos no poder depois do fim do seu mandato atual, que acaba em 2024.

Putin defende mudar a Constituição da Rússia para permanecer no poder
A Câmara de Deputados, conhecida como Duma, é controlada pelo governo russo. A maioria dos legisladores votou a favor de uma série de emendas constitucionais. Foram 383 votos a favor, 0 contra e 43 abstenções.

Mudança na Constituição, aprovada pelo Parlamento russo, permite reeleição de Putin

Essas novas regras, no entanto, serão submetidas a um julgamento no Tribunal Constitucional e, depois, a uma votação nacional, agendado para o dia 22 de abril.

Os opositores do governo russo afirmaram que essa é uma manipulação, e convocaram protestos.

Putin, de 67 anos, é um ex-agente da KGB, o antigo serviço de inteligência soviético, e está no poder no país há mais de 20 anos.

Inicialmente, ele foi presidente durante dois mandatos consecutivos de quatro anos. Ao fim desse período, um aliado dele, Dmitry Medvedev, assumiu a presidência, enquanto o próprio Putin serviu como primeiro-ministro.

Durante o governo de Medvedev, o mandato passou a ser de seis anos. Putin foi eleito então em 2012 e, novamente, em 2018.

A reforma constitucional aprovada pela Duma nesta quarta-feira (11) permitiria que Putin pudesse concorrer mais duas vezes depois de 2024.

As mudanças redistribuem os poderes executivos do governo russo e aumentam o poder do presidente.

Também foram votados a proibição ao casamento de pessoas do mesmo gênero e a “crença em Deus” passa a ser considerada legalmente um valor tradicional russo.

A proposta para dar mais tempo ao atual presidente foi feita pela deputada Valentina Tereshkova. Ela foi a primeira mulher do mundo a viajar para o espaço.

Logo depois do discurso dela, Putin apareceu no Congresso e verbalizou seu apoio.

Como era o mundo quando Putin chegou ao poder

Vladimir Putin virou primeiro-ministro do presidente Boris Yelstin em 10 de agosto de 1999. Todo o gabinete foi demitido para a nomeação.

Ele foi o quinto nome a ocupar o cargo em 17 meses. Em dezembro daquele ano, ele assumiu o cargo de presidente.

O presidente do Brasil era Fernando Henrique Cardoso; depois dele vieram Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro;

Nos EUA, era Bill Clinton quem estava no poder; ele sofreu um impeachment na Câmara dos Deputados em dezembro de 1998, mas foi absolvido no Senado em janeiro de 1999; foi sucedido por George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump;

O dólar valia R$ 1,86 naquele dia;

Um litro de gasolina comum custava, em média, R$ 1,10;

A Confederação Brasileira de Futebol protocolou, naquele dia, os documentos para a candidatura do país para receber a Copa de 2006 –o que não aconteceu;

Nos EUA, a canção número um era Genie in a Bottle, da Christina Aguilera; no Brasil os hits foram de Caetano Veloso (Sozinho), Charlie Brown Jr (Tudo que ela Gosta de Escutar), Sandy e Junior (No Fundo do Coração) e Djavan (Eu te Devoro);

A China proibiu uma visita do Papa João Paulo II à Hong Kong no mesmo dia em que Putin chegou ao poder;

Augusto Pinochet, o ditador chileno, estava detido em prisão domiciliar em Londres. A Espanha havia pedido a extradição dele para julgá-lo por crimes contra direitos humanos no Chile; ele morreu em 2006.