Do G1 PE

O governo de Pernambuco confirmou, nesta quarta-feira (18), a transmissão comunitária da variante delta da Covid-19 no estado. A informação foi divulgada pelo secretário estadual de Saúde, André Longo, durante entrevista coletiva no Palácio do Campo das Princesas, no Recife (veja vídeo acima).

Esse tipo de transmissão fica caracterizado quando não é possível saber quem passou a doença. A variante delta da Covid-19 foi detectada no Brasil há aproximadamente três meses, com a chegada de um navio ao Maranhão.

Até então, sete casos da variante delta haviam sido confirmados em Pernambuco. São dois moradores do Grande Recife, sendo um de Abreu e Lima e outro de Olinda; além dos cinco tripulantes filipinos do navio cargueiro Shoveler, que ficou em quarentena no Porto de Suape desde 30 de junho, mas seguiu viagem em julho. Quatro tripulantes se curaram, mas um morreu por causa da doença.

“Os dados apontam para a circulação da variante delta em nosso território de forma comunitária porque não conseguimos identificar os casos que positivaram para a doença antes desses dois pacientes. Essa circulação da delta em Pernambuco só reforça a importância dos cuidados com a Covid-19, vacinar com as duas doses, fazer o uso correto das máscaras. Para essa variante, completar o esquema vacinal com as duas doses é essencial”, disse o secretário.

O secretário reforçou que o estado segue reforçando o sequenciamento genético das amostras, principalmente dos contactantes relacionados aos dois pacientes, para rastrear a possível presença da delta. O trabalha conta com o apoio das equipes de vigilância epidemiológica das duas cidades onde os casos foram detectados.

De acordo com o governo, o homem de 49 anos que mora em Olinda e teve a confirmação da infecção pela variante delta teve a esposa e os três filhos como principais contatos relacionados. Todos apresentaram sintomas da doença no mesmo período, mas apenas a esposa e o filho mais velho coletaram material para testagem. Nenhum deles tem histórico de viagem para locais com a presença da delta confirmada.

O outro paciente, que tem 24 anos e mora em Abreu e Lima, trabalha em uma unidade de saúde em Paulista. Foi coletado material biológico de mais dez profissionais que trabalham com ele. O homem também tem contato frequente com cinco pessoas que moram com ele outras três que vivem um terreno conjugado ao lado do dele. Todos frequentam cultos religiosos.

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Questionado sobre o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) na última semana epidemiológica, o secretário afirmou que os índices em Pernambuco continuam em estabilidade após dez semanas consecutivas de queda no número de casos graves da doença.

“Não podemos afirmar que há, em uma semana, uma mudança de tendência. Nós avaliamos tendência com, pelo menos, duas semanas, 14 dias. E precisamos, obviamente, aguardar os números desta semana. Nós voltamos a um patamar antes da aceleração da curva lá em 2020”, afirmou André Longo.

Plano de convivência

De acordo com o secretário André Longo, o governo segue monitorando os números e a confirmação da transmissão comunitária da variante delta em Pernambuco não significa “necessariamente que a decisão do comitê não é por interromper os avanços do plano de convivência” com a Covid-19.

No entanto, novos avanços como a realização de grandes eventos, podem ser anunciados nos próximos dias.

“A gente ainda não tem um cenário que permita grandes eventos sem que a gente faça uma avaliação mais adequada disso. O cenário hoje que a gente está trabalhando é com alguns eventos testes para o mês de setembro e isso deve ser detalhado pra vocês nos próximos dias”, afirmou.

Segundo André Longo, a ideia é desenvolver eventos testes exclusivamente para as pessoas que tem as duas doses da vacina contra a Covid-19. “Essa questão está sendo tratada em discussão com esses diversos promotores de evento, incluindo a própria Federação Pernambucana de Futebol”.

Cenário nacional

De acordo com o Ministério da Saúde, 41 óbitos foram confirmados para a delta e 1.020 casos da variante foram identificados e notificados no Brasil, até o dia 16 de agosto.

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Ainda segundo o governo federal, a variante predominante segue sendo a gama (P.1). Não há dúvidas sobre o avanço da delta no Brasil, mas especialistas apontam que esses dados ainda precisam ser analisados com cautela.

Apesar do número de casos estar subindo, ainda não há um surto da variante, como ocorreu em outros países, de acordo com o ministério.

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Números da Rede Genômica da Fiocruz apontam que, entre os sequenciamentos de amostras feitas pelo sistema no país, a delta corresponde a 22,1% dos casos sequenciados em julho (mais do que 1 em cada 5 casos).

Em junho, o total era de 2,3%. Entretanto, o total de sequenciamentos é desigual no Brasil. Enquanto, por exemplo, São Paulo fez mais de 10 mil, o Piauí analisou apenas 19.

A delta foi identificada pela primeira vez na Índia, em outubro do ano passado. Em junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta importante: a variante tem se tornado dominante em todo o mundo, muito por conta da sua transmissibilidade.

De acordo com o boletim epidemiológico da entidade, divulgado no dia 11 de agosto, 142 países já identificaram a circulação da delta.

No entanto, apesar de ser mais transmissível (assim como as outras variantes que surgiram), ainda não há como afirmar que ela também é mais letal.

Vacina e delta

Em julho, dados preliminares divulgados pela Johnson apontaram que a vacina da Janssen é eficaz contra a delta.

Um outro estudo, publicado no Reino Unido, também apontou efetividade da Pfizer e AstraZeneca contra a variante. Os pesquisadores reforçaram que a segunda dose é muito importante para atingir uma eficácia boa.

Com o ciclo completo, a eficácia da AstraZeneca chega a 67%, com resultados entre 61,3% a 71,8%. Já no caso da Pfizer, chega a 88%, com variação entre 85,3% a 90,1%.contra a delta.

O Instituto Butantan, parceiro da fabricante da CoronaVac no Brasil, anunciou o início de estudos para avaliar se o imunizante é efetivo contra a delta.