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Por Paulo César Gomes – Fotos: Alejandro García / Farol

A internet e as novas redes estão acabando, literalmente, com os costumes mais tradicionais de diversas regiões do planeta. No Sertão nordestino, uma das tradições mais afetadas é a popularíssima “história de trancoso”. Esse tipo de história mistura vários elementos da cultura da nossa região, que vai da crendice popular aos fatos folclóricos.

Até bem pouco tempo atrás, os “contadores de estórias” sentavam-se nas calçadas e chamavam as crianças para ouvirem os mais hilariantes contos pajeuzeiros. Um desses contos curiosos, possui mais de 100 anos e está diretamente relacionada a Igreja do Nossa Senhora Rosário e a serra que dar nome a cidade.

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Foi com base em uma “história de trancoso”, que eu e o incansável repórter fotográfico do FAROL, Alejandro García, partimos em busca de desvendar o mistério que envolve a pequena e centenária Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Marco Zero de Serra Talhada.

Segundo os contadores de histórias e estórias, durante a construção do templo religioso, entre os anos de 1789 e 1790, os escravos que trabalharam na obra, construíram um túnel que ligava o altar da Igreja à “caverna do morcego”, na serra talhada, o objetivo dos cativos era aproveitar a distração dos encarregados para fugirem.

No entanto, ao verificar a estrutura do terreno que separa a igreja da serra, percebemos que é humanamente impossível que isso, de fato, tenha acontecido. O mais lógico era que o túnel fosse construído em direção ao rio Pajeú.

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Infelizmente quase ninguém na cidade sabe informar a origem da fantástica história. Ainda assim, não se pode deixar que episódios como esse caíam no esquecimento, já que a identidade de uma cidade é construída com base na preservação da memória de sua gente.

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Outro fato a se destacar é que a velha igrejinha, foi durante a parte final da escravidão o local onde os negros puderam praticar a sua fé, mesmo que isso tenha ocorrido de forma impositiva. Enquanto os negros tinham a igrejinha, os brancos tinham uma igreja de duas torres construída em um dos pontos mais alto da praça central da cidade.

Em um cenário de violência e de segregação racial, o imaginário social pesou mais forte e transformou algo improvável, em uma lendária história que demonstra a importância da liberdade de um povo que vivia em condições sub-humanas.

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