Fotos: Farol de Notícias/Celso Garcia

Publicado às 10h20 desta sexta-feira (18)

Com o disparo de aumento do preço do trigo, os panificadores de Serra Talhada precisaram fazer um reajuste no valor do pão francês. Os novos valores já foram alterados durante esta semana em várias panificadoras da Capital do Xaxado. De acordo com um balanço do Farol, preço varia entre R$ 0,60 e 0,75 centavos a unidade.

A reportagem visitou algumas padarias da cidade, conversou com os proprietários sobre o aumento e constatou que a principal causa do reajuste foi realmente a alta do trigo, no entanto, enfatizaram que não somente o trigo, mas toda matéria-prima para a produção do pão está sofrendo aumento constantemente. Diante da situação, não é possível manter a unidade com o valor de R$ 0,50 centavos e a insatisfação do consumidor também aumenta, no entanto, percebem que praticamente todos os produtos do comércio brasileiro estão tendo aumento.

”Nosso pão, a partir de hoje passou a ser R$ 0,70 centavos, custava R$ 0,50 centavos. No início de 2021, a gente comprava farinha a R$109, 112 reais, nosso pão estava com em média de 1 ano que tinha tido aumento, esse já era o 3º ano que estava a R$ 0,50 centavos. Hoje, a última mercadoria que recebi foi a R$ 196, um saco de trigo de 50kg, mas esse valor ainda não foi repassado o aumento que teve agora. O que passaram para a gente é que a farinha vai ficar a R$ 230, R$ 250 reais. Isso nos levou a esse aumento do pão”, explicou Ivanilda Mangueira, proprietária da Vila Bela Delicatessen, continuando:

“Com esse aumento agora não tinha condições de manter o preço de R$ 0,50 centavos. A reclamação dos clientes é muito pouca porque o pessoal está todos os dias no supermercado vendo que não só foi o derivado do pão que aumentou, aumentou tudo. O óleo teve aumento de mais de 200% do valor que a gente comprava e a gente usa óleo para polvilhar todas as assadeiras. Os ingredientes que a gente usa no pão, nem se fala, o preço de tudo que a gente usa no pão foi lá para cima”.

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Aparecida de Fátima, proprietária da Panificadora Cantina do Pão, no Ipsep, também comentou sobre o aumento, apesar de ainda não ter ajustado o preço. Permanece vendendo a R$ 0,50 centavos, no entanto, em breve terá que ajustar o valor após um consenso dos panificadores do bairro, mesmo cada um decidindo o preço que ficará.

”Ainda não aumentamos, mas vai passar por um aumento, só não sei ainda o valor. O aumento vai ter com certeza, não tem como a gente continuar com o preço que está de R$ 0,50. Quem quer aumentar mais, aumenta mais, quem não quer aumenta menos, mas quando é para ter aumento todos os panificadores do bairro se posicionam e decidem quando vão aumentar. Mas vamos tentar aumentar o mínimo possível para a gente continuar e também não afetar tanto o cliente”, explicou, reforçando:

”O cliente não aceita bem o reajuste, aceitação é complicada no início, o cliente xinga, reclama com razão porque ninguém gosta de aumento. Mas depois acostuma porque o pessoal ver que não tem condições da gente trabalhar se já está comprando a matéria-prima num preço muito elevado. Aumento do trigo e de outros produtos porque o pão não leva só o trigo e tudo aumento, mas o aumento do trigo foi absurdo”.

Alan Bruno Magalhães de Souza, representante da Panificadora Souza, no bairro São Cristóvão, afirmou que a alta do trigo também é consequência da guerra na Ucrânia porque a Ucrânia e Rússia são os maiores players mundiais do mercado do trigo. Além disso, ele também citou outras questões que afetam a fabricação do pão, consequentemente o valor para o consumidor que antes não abria mão do pão à mesa.

”Teve aumento de combustível, teve aumento de botijão de gás e tem gente que usa gás para assar o pão. A gente usa lenha e gás, todos os dias compramos 2 bujão de gás, então só no gás tem um aumento de R$ 30 reais por dia, então o pão teve que ter aumento, terça-feira (15), aumentamos para R$ 0,70 centavos a unidade. Teve aumento do trigo, ano passado, custava R$ 140, R$ 150 reais, o pão era 0,35 centavos e passou para R$ 0,50. Agora, o trigo já custa mais de R$ 2oo reais. A Rússia ou a Ucrânia são um dos maiores produtores de trigo e as farinhas mais fracas que vinham do Paraná vão parar de vir para cá porque o Paraná vai exportar para outros países, então só vamos receber a mais cara”.

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”Alguns donos de padarias conversaram e viram a realidade de cada um para poder ter o aumento. Uns aumentaram o pão para R$ 0,60 centavos, tem gente vendendo a R$ 0,70 e R$ 0,75 centavos. Não é só o pão que vai sofrer aumento porque não foi só o trigo que aumentou, todos os produtos de padaria tiveram aumento. Os clientes tiveram um susto, mas estão vendo a realidade do país e do mundo por conta da guerra também”, concluiu Alan Magalhães.

Ivanilda Mangueira: “Tudo que a gente usa no pão aumentou de preço”

Alan Souza: “A guerra na Ucrânia também afetou”