Publicado às 09h20 desta sexta-feira (8)

Um professor natural da cidade de Santa Cruz da Baixa Verde rumou para o Sertão após ser aprovado no concurso público da cidade de Flores. Jeremias de Souza Santos foi empossado e quando compareceu na escola para iniciar suas aulas foi informado que não poderá atuar.

Desesperado por ter deixado família e emprego no Agreste em busca da segurança do funcionalismo público, procurou o Farol para relatar seu caso. Leia o depoimento na íntegra:

Por Jeremias de Souza Santos, professor concursado indignado

Fui empossado aqui na cidade para a Escola do Riacho dos Barreiros, tomei posse, compareci na escola, mas hoje fui informado pela administração que não poderei mais realizar as atividades na escola. Estão me pedindo para tirar o exercício da função de uma hora para outra.

Sai de Santa Cruz do Capibaribe, deixei dois empregos, família, meus bens, meus amigos, minha situação financeira, para vir exercer aqui com todo carinho do mundo que tenho pela educação, pelo meu trabalho que carrego como devoção e estou sendo impedido de realizar minhas atividades na escola.

Uma escola que estava há 60 dias sem professor. É uma região de difícil acesso, mas estou indo, estou voltando, estou trabalhando com as crianças e hoje fui impedido de exercer minha função. Quero, desde já, explicitar o que está acontecendo porque perdi meus dois empregos, vim parar aqui, estou tendo gastos e agora de uma hora para outra sou descartado como um produto.

Procurei a administração e ela disse que aguardasse, não deu notícia, não deu explicação. A gente sabe que há vaga sim. Já tinham me apresentado, já tinha tomado posse, já estava  realizando as atividades e fui deposto, estou impedido de adentrar a sala de aula para exercer as atribuições das minhas funções.

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Já chorei muito, já fiquei angustiado, não sei nem como vou voltar para a minha cidade para falar com os amigos depois desse trauma. Meu sonho de ser concursado, realmente, está virando pesadelo, um tormento, não desejo a ninguém essa situação. Espero que o prefeito se pronuncie, espero que a secretária se pronuncie porque realmente a gente não tem informações.

O pessoal da administração responde com desdém, não explica as coisas direito. Eu estou nessa luta. Pelo amor de Deus, me ajude, porque não sei o que farei para sustentar minha família, para pagar meus compromissos e me manter depois de ter perdido meu emprego, minha instabilidade, não era concurso, mas era estável. Meu ganha-pão e agora estou nessa situação que não desejo para ninguém.

OUTRO LADO 

A reportagem do Farol entrou em contato com a Prefeitura de Flores para tentar buscar respostas para o professor denunciante. A Assessoria do prefeito Marconi Santana emitiu uma nota dando detalhes do que ocorreu no certame municipal. 

NOTA À IMPRENSA

Informamos, que o ato que anulou as nomeações e convocações realizadas a partir de 29/03/2022, ocorreu após um erro exclusivo da Secretaria de Administração nas convocações realizadas a partir de 18/02/2022, que não atendeu a previsão estabelecida do item 2 do Capítulo 22 do Edital nº 001/2021 – Concurso Público, quando não enviou as convocações via correios.

Diante da ato falho ocorreu em seguida as anulações das nomeações realizadas a partir de 29/03/2022, sanando assim as irregularidades.

Reforçamos o nosso comprometimento, seriedade e respeito com os participantes do concurso público, acrescentando que estamos debruçados para resolver de maneira mais rápida e prática o ocorrido.

Secretaria de Ação Governamental

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