Publicado às 17h desta sexta-feira (22)

Foto: Celso García/Farol

Os professores de Serra Talhada devem se reunir no início da próxima semana para firmarem uma proposta unificada a ser apresentada junto à Câmara de Vereadores para que, com a mediação dos parlamentares, consigam chegar a um consenso sobre o tão polêmico reajuste do piso salarial da categoria para 33,24%. O projeto do executivo foi enviado para a Câmara Municipal sem qualquer debate com os docentes, fato que tem gerado desgaste ao governo Márcia Conrado.

Na última quarta-feira (20), o Sintest (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Serra Talhada), Aprost (Associação dos Professores de Serra Talhada), Sinpro e Movimento Livre sentaram na mesma mesa com representantes do governo municipal e vereadores para encontrarem uma saída. O grande problema no momento é que o projeto do governo não atende as expectativas da classe e, alertam eles, ainda retira direitos adquiridos.

“Na reunião, foram apresentadas as propostas de cada categoria, e que são quase as mesmas defendendo 33,24% como reajuste com repercussão na carreira e que o PCC não seja mexido, para que o que está no PCC seja reformado mais adiante por uma comissão que já está indicada e publicada em portaria. Essas foram as reivindicações da categoria que foram convergentes. Ficou para que a categoria se reúna durante a semana e elabore uma proposta e a apresente à Câmara de Vereadores na segunda (25) e a Câmara também vai fazer cálculos e elaborar também uma proposta para que possa apresentar junto ao governo durante a semana”, comentou o presidente da Aprost, Carlos Antônio ao Farol.

Já o presidente do Sintest, Junior Moraes, foi sucinto na avaliação: “Faremos uma proposta com o novo percentual, onde não chegar no piso, vamos esticar até chegar, não alterar as tabelas do PCCR e das escolas integrais. Reunião deverá acontecer no Sintest com todos os representantes da categoria”.

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Farol entrevista Carlos Antônio, presidente da Aprost

“OUVIR A CATEGORIA FOI MUITO IMPORTANTE”

FAROL – Carlos, para você enquanto presidente da Aprost, a conversa foi satisfatória?

CARLOS ANTÔNIO – A iniciativa da Casa Legislativa em receber e ouvir a categoria foi muito importante, mesmo entendendo que o Projeto de Lei Complementar nº 017, de 08 de abril de 2022 é de iniciativa do Executivo, sendo considerado o princípio da simetria. Todos tivemos a oportunidade de verbalizar a nossa insatisfação quanto em relação ao Projeto apresentado, deixando claro que em nenhum aspecto ele atende as reivindicações da categoria. Ao invés de valorizar, agride diretamente as conquistas e avanços que os Professores e Professoras de Serra Talhada têm galgado na carreira. Reafirmamos que não aceitaremos nenhuma proposta que retire o que já conquistamos e defendemos 33,24% com repercussão na carreira sem alteração mantendo os índices de progressão vertical e horizontal previstos no Plano de Cargos, Carreira e Remuneração, contemplando também os nossos aposentados.

FAROL – Nessa reunião, você viu boa vontade dos representantes do governo Márcia em ceder para uma negociação?

CARLOS ANTÔNIO – Após as falas da categoria e vereadores presentes, os representantes da gestão Municipal presentes na reunião esticaram a corda, deixando evidente que, dentro do apresentado pelo Município, não havia mais condições de negociação, reproduzindo o que foi expressamente apresentado, anteriormente na Nota Pública emitida pelo Governo Municipal, sendo interpelados por representantes da categoria e alguns vereadores sobre a flexibilidade do Município para negociação, tentado reestabelecer a possibilidade de diálogo. Até esse momento estava explícito que não existia vontade do Governo em ceder a favor da negociação.

FAROL – Nessa reunião, houve momento de tensão?

CARLOS ANTÔNIO – Houve momentos de tensão quando o Governo tentou desconstruir a fala da Categoria que se colocou em defesa das reivindicações postas de manutenção do PCCR e do índice de reajuste de 33,24% na carreira. Eles argumentaram que isso inviabilizaria as ações do Município em outras áreas da administração pública, o que não é verdade porque os recursos direcionados à educação de Fundos e programas específicos só podem ser aplicados no desenvolvimento e valorização da Educação, não podendo serem aplicados na saúde, infraestrutura, segurança pública ou desenvolvimento social. Entendemos que esse discurso visa jogar a educação contra outros segmentos da sociedade.

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FAROL – E como você avalia esse tipo de estratégia?

CARLOS ANTÔNIO – Temos recebido apoio da comunidade escolar, da sociedade e de demais servidores públicos municipais porque nossa luta tem sido entendida pelo povo, o que defendemos é a nossa valorização, é o direito de preservarmos aquilo que já conquistamos como direito no decorrer da nossa vida profissional, não admitiremos sermos penalizados por estarmos há muitos anos na sala de aula ou porque buscamos qualificação acadêmica (Especialização, Mestrado e Doutorado), para enriquecer o nosso conhecimento e prestarmos um serviço de melhor qualidade para os nossos estudantes. E é exatamente o que irá acontecer se esse Projeto de Lei for aprovado tal como foi encaminhado à Câmara Municipal de Vereadores. Depois de muito debate e discussão, ficou acordado que o conjunto das Entidades presentes irá formatar uma proposta em consenso e apresentar a Câmara dos Vereadores até a próxima segunda-feira (25/04), para que a Câmara possa intermediar uma conversa com a Prefeita do Município em busca de uma solução para essa situação lamentável e constrangedora que passa o Município de Serra Talhada em relação a Educação e os nossos Professores e Professoras (Ativos e Inativos).

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