Da Revista Forum

A Promotoria do Uruguai anunciou nesta segunda-feira (29) a descoberta de uma rede de exploração sexual de menores no país, organizada e financiada por várias figuras conhecidas no país, incluindo políticos, grandes empresários e ex-juízes.

O caso, conhecido no país como “Operação Oceano”, foi descoberto em 2019, a partir do depoimento de uma adolescente de 18 anos, que confessou fazer parte do esquema desde os 15. Segundo ela, os criminosos buscavam as vítimas, todas elas garotas a partir de 13 anos, através de aplicativos como Tinder e Badoo, e ofereciam dinheiro, drogas, roupas, convites para festas e passeios em iates de luxo em troca de sexo com elas.

A “Operação Oceano” ganhou mais notoriedade após a prisão do empresário argentino Ricardo Cirio Orestes, que inicialmente virou manchete mais pelo fato pitoresco: ele foi preso na balsa entre Buenos Aires e Montevidéu, em abril passado, por ter violado a quarentena em seu país.

Logo, a Promotoria uruguaia aproveitou sua prisão para interrogar sobre o envolvimento do empresário com a rede de exploração sexual, e descobriu que Orestes, dono de escolas em seu país e também na cidade uruguaia de Punta del Este, estava ligado ao esquema.

Ao todo, há 21 pessoas acusadas de envolvimento com os crimes até o momento, algumas delas com residência na Argentina, razão pela qual a Promotoria do Uruguai conta com o apoio da polícia do país e também da Interpol para buscar os acusados.

Entre os denunciados ​​estão dois políticos de partidos de direita: Nicolás Ortiz (vice-adjunto do Partido Colorado) e Diego Susena (conselheiro em Montevidéu pelo Partido Nacional, o mesmo do presidente Luis Lacalle Pou). Outras figuras conhecidas que estão envolvidas são os empresários Nicolás Chírico, Matías Sosa de León, Jacques Paullier e Diego Susena, os ex-juízes Washington Balliva e Miguel Larramendi.