Publicado às 04h30 deste  sábado (2)

No dia 30 de dezembro a Secretaria de Saúde divulgou o último boletim do ano sobre o avanço do novo coronavírus no município. Nos detalhes, o órgão confirmou mais um óbito em Serra Talhada, de uma idosa de 82 anos, Maria Jaíra de Sousa, moradora da AABB, ex-tabagista e portadora de bronquite crônica, que faleceu no dia 16 de novembro.

Menos de 24 horas após a divulgação do documento, o Farol foi procurado por Maria do Socorro de Sá, mais conhecida por Coquinha Conrado. Ela é filha da idosa que foi sepultada seguindo os protocolos da covid, mas contestou, com veemência, a postura do governo municipal.

Ela pretende ir até as últimas consequências para que a mãe possa ter um sepultamento digno. Como prova do contraditório, Coquinha Conrado enviou a redação cópia do resultado do exame feito no Laboratório Central (Lacen) em Recife.

“Eu fiquei de falar com o diretor do hospital, como não foi covid, ia pedir que me ajudasse na exumação do corpo, para eu ver se via minha mãe. Quando me deparei com a matéria sobre minha mãe; ela [faleceu] do pulmão, e depois de 1 mês e 14 dias sai o resultado [da Secretaria de Saúde] que minha mãe morreu de covid? Sendo que esse resultado já tinha saído com 12 dias, estava no hospital resultado”, alertou Maria do Socorro Sá, arrematando:

“Preciso retratar isso porque minha mãe virou uma bola de ping pong nas mãos desse pessoal. Mas minha mãe foi enterrada que a gente não teve direito de ver nem nada. Isso me deixa transtornada porque morreu é suspeita de covid você não pode ver, mandam até segurança para o cemitério para a gente não abrir o caixão. Então será que enterraram a minha mãe? Fica duvidoso! Será que não pegaram o cadáver da minha mãe e levaram para algum lugar para fazer exame. Eu preciso botar minha cabeça em ordem, conversar com algum advogado porque eu não posso deixar essa bolinha de ping pong em cima da minha mãe por isso aí envolve dinheiro também”.

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Ainda durante a entrevista, Maria do Socorro de Sá deixou claro que seus questionamentos nãos são por questões financeiras. “Eu não quero dinheiro, eu quero dignidade, humanidade e respeito. Eu fiquei estarrecida de tanta dor, eu não dormi de jeito nenhum, uma situação muito ruim para mim. Eu sei que minha mãe não vai voltar mais, mas o respeito com a minha pessoa porque eu implorei para ver minha mãe e não deixaram”, finalizou.

CÓPIA DO EXAME DO LACEN-PE