Fotos enviadas gentilemnte pela família

Publicado às 14h20 desta sexta-feira (30)

A Rua Irineu Alves de Magalhães, no bairro AABB, estava em clima de festa com muita emoção e gratidão pela recuperação de Lúcia de Fátima Oliveira Villela Ramos, 61 anos, dona de casa, que lutou contra o coronavírus durante 48 dias internada no Hospital Eduardo Campos. Ela venceu o vírus, recebeu alta e foi recebida pela família, amigos e vizinhos com muito alegria, nesta sexta-feira (30).

Em conversa com o Farol, Sheyla Virgínia Vilella Ramos, 29 anos, servidora pública, filha de Dona Lúcia de Fátima, disse que a mãe testou positivo pra a Covid-19 no dia 10 de março junto com o esposo e o neto. Os primeiros sintomas que ela sentiu foi tosse, alergia e gripe leve, porém se agravou. Após 4 dias, especificamente dia 14 de março, quando ela acordou e aferiu a saturação estava muito baixa.

A família levou Lúcia de Fátima para o Hospital de Retaguarda e lá a encaminharam para o Hospital Eduardo Campos (HEC). Ela ficou consciente no dia 14 (domingo), segunda (15) e terça-feira (16), inclusive falou com a família via chamada de vídeo. Porém, na noite da terça, passou mal e foi intubada. Daí por diante foram 48 dias na UTI, porque precisava de hemodiálise, sendo 17 dias intubada.

MEDO E SUPERAÇÃO

Veja o vídeo!

Foram 48 dias convivendo com o medo e a incerteza, se ela voltaria a salvo para o seio da família ou não iria resistir, já que é uma paciente com comorbidades. ”O medo era grande, porque ela é paciente real crônica, retirou um rim em agosto do ano passado e a gente sabia que ela não podia pegar essa doença. Eu costumava dizer que ela não ia durar num dia viva, se pegasse, mas Deus é maravilhoso e fez eu me enganar. Foram dias de altos e baixos, muita gente ansiosa. Aqui entre eu, meu pai e meu filho, ainda teve a aflição com eles por causa da doença. Mas passou o período de isolamento e graças a Deus ficaram bem. O foco ficou sendo mainha, que tava no hospital e já tinha a saúde mais fragilizada”, disse Sheyla, acrescentando:

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”Apesar do medo, eu, Sheyla, levei os dias com alegria e tranquilidade, não adianta estressar, ficar ansioso, querer que seja logo, é um processo muito lento. Recebi a ligação falando sobre a alta dela hoje, convoquei toda a família, vizinhos e amigos. Um grupo foi pegar no hospital e outro ficou esperando na rua da casa dela, foi muito rápido, mas ficou tudo perfeito para o momento da chegada. Ela é muito querida”, afirmou a filha, fazendo questão de deixar pública uma carta de agradecimento.

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CARTA DE AGRADECIMENTO

”Quero aproveitar a oportunidade pra agradecer, publicamente, com calma, a todo mundo do Hospital Eduardo Campos. Eu pensei milhares de coisas para falar e eu já agradeci um bocado, a um monte de gente, mas nunca será demais, né? Quero, de coração dizer que sou muito grata a todos os profissionais de saúde e equipe que fazem um hospital funcionar, do recepcionista ao médico, ao pessoal de limpeza, administrativo, enfermeiros, técnicos em enfermagem, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, fonos, nutricionistas, maqueiros, vigias e sei lá quantos mais que fazem as coisas caminharem.

É muito difícil para família que espera o paciente em casa, as vezes com poucas notícias, medo, ansiedade, mas é mais difícil pra quem trabalha, que deixa suas famílias em casa, fica em frente do risco, cansados, desgastados, as vezes humilhados, por toda essa situação que, infelizmente, não é de hoje e ainda caminha a passos lentos pra acabar. Obrigada de verdade a todos que vem dando o máximo pra fazer pessoas, como a minha mãe, voltar pra casa.

Um dia, como tudo na vida, isso (a pandemia) vai ter fim e eu peço a Deus que todos consigam olhar pra trás e contar boas histórias, como a da minha família, sabendo que teve um papel fundamental pra famílias não chorarem e pessoas continuarem vivendo. São muitas as perdas, são muitas famílias de luto, mas com a força e disponibilidade de vocês estamos vencendo!”

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