Fotos: Celso García/Farol – Max Rodrigues

Publicado às 05h desta sexta-feira (6)

Por João Luckwu, poeta serra-talhadense

O “Momento Poético” parabeniza hoje nossa querida Serra Talhada que completa 171 anos de emancipação política. Principal município do Sertão do Pajeú, nossa cidade é conhecida nacionalmente como a “Capital do Xaxado”. Terra de Agamenon Magalhães, Virgulino Ferreira – O Lampião, Arnaud Rodrigues dentre tantos outros personagens que marcaram a história. Parafraseando o poeta Chico Luckwu eu diria que Serra Talhada é o berço da cultura, dos poetas, cangaço e coronéis.

A pequena Vila Bela foi erguida às margens da imponente serra que foi cortada a prumo por obra da natureza e que posteriormente deu nome à cidade de Serra Talhada. Assim descreve o poeta Simplício Lira-Pio:

“Escarpas abruptas talham nossa serra
Fragas esculpidas pela natureza
Usando os cinzéis com tanta destreza
Que a mão do escultor, precisa, não erra
Desta cordilheira uma finisterra
Com apoteose de um lado encerrar.
A serra talhada dá nome ao lugar,
Açude e planalto é o borborema,
A nossa caatinga o ecossistema
Nos dez de galope distante do mar”.

Já poeta Ivanildo Salvador expressou dessa forma:

(….)

“Vila, bela serra à sua frente
Vila, bela serra imponente
Serra, bela e majestosa
Com a qual a natureza foi tão generosa”.

A nascente do Rio Pajeú é conhecida como o berço da poesia popular e rio abaixo pela correnteza das águas essa verve chega até nossa cidade aflorando uma reluzente inspiração poética.

Relembrando a infância vivida no rio Pajeú, retrata o poeta Rui Grúdi:

“Fui um menino sapeca
do vale do Pajeú
nas caçadas de peteca
e nas roubadas de caju
Nos meus banhos de costume
subia para o curtume
nadava feito um delfim
nas pedras ralando o couro
aquilo foi um tesouro
Que o tempo roubou de mim”

(….)

No mesmo sentido segue o poeta Jesus Martins:

(….)

“Comecei a recordar
A Serra da minha infância
A talha da natureza
Uma forte correnteza
Carregando eu e tu
E o meu Pajeú que lindo
Menino rindo correndo nu
O rio Pajeú vem vindo
Menino rindo correndo nu”

O poeta João do Serrote Preto foi de uma felicidade ímpar neste sonho:

“Tive um sonho e voltei pro meu torrão
Revivi toda minha adolescência
Fui ao CIST e senti a efervescência
Das tertúlias e bailes de salão
Vi Nogueira dar “Sil” no Batukão
Fui até o curtume tomar banho
Encontrei meninada de rebanho
A correr pela areia em alarido
Acordei e fiquei entristecido
Com saudade em meu peito sem tamanho”

Serra Talhada é a segunda cidade mais importante do Sertão de Pernambuco e o principal município do Sertão do Pajeú, possuindo uma infraestrutura e localização privilegiadas, tornou-se um polo de desenvolvimento nas áreas de comércio, saúde, educação e cultura.

Assim descreveu o poeta Henrique Brandão:

“Um oásis no sertão
Cheio de oportunidades
Assim é Serra Talhada
Com suas diversidades
De cultura exuberante
De um povo cativante
Bonita por natureza
Sua localização
Bem no centro do sertão
É sinônimo de riqueza

No centro de Pernambuco
Aproxima quatro estados
Vizinha da Paraíba
Ceará fica do lado
Próxima também da Bahia
Até a geografia
Abençoou nosso chão
Muito bem localizada
Por isso Serra Talhada
É potência no sertão

Desde a sua criação
Que o comércio predomina
Uma fazenda de gado
Numa área de campina
Se tornou um expoente
Onde o seu povo valente
Tem vocação pro futuro
Terra de um povo brilhante
Que enxerga bem adiante
E investe forte e seguro

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Oitocentas mil pessoas
Direta e indiretamente
Consomem algum produto
Ou serviço dessa gente
Nosso comércio é pujante
E em evolução constante
Tem muito potencial
Cada dia que amanhece
Serra Talhada só cresce
E isso é muito especial

Quarto maior polo médico
Polo educacional
Temos grandes faculdades
E um campus federal
E pra apoiar quem cresce
Temos o sistema S
Focado na formação
De uma mão-de-obra ativa
E torna mais competitiva
Esse oásis do sertão”.

(…)

Nossa Senhora da Penha é a padroeira da cidade e uma tradição é mantida há mais de dois séculos. A festa da padroeira, mais conhecida por festa de setembro, ganhou um status comercial com apresentações culturais, parques de diversões, praça de alimentação com bebidas e comidas típicas, porém sem perder o caráter religioso com celebrações de novenas na igreja matriz, encerrando com a procissão da bandeira de Nossa Senhora da Penha, que arrasta uma multidão de fiéis pelas ruas da cidade numa demonstração de fé e devoção.

Desse modo define o poeta Ferreira Júnior:

“Forte é a fé católica
E muita gente se empenha
Da cidade é padroeira
Nossa Senhora da Penha
Em setembro é sua festa
Ficando a cidade aberta
A qualquer que a ela venha”

Na mesma trilha segue o poeta Amaurílio Sousa:

“Olhando Serra Talhada
Vislumbro a igreja Matriz
A fé que a força condiz
Com essa gente abençoada
Padroeira imaculada
Da princesa do sertão
Segue firme em devoção
Nossa Senhora da Penha
Dadivosa se mantenha
Em nossa intercessão”

O hino oficial de Serra Talhada foi composto com letra da professora Anália Rocha e melodia do maestro Luiz Benjamim e traz uma sensibilidade poética em sua essência:

Rosa do Sertão rude e agreste
Perdida no seio do Nordeste
À margem arenosa do rio Pajeú
Entre a flor singela do mandacaru.

Qual um novo oásis florescente
Do nosso sertão vasto e ardente
Todo viandante abriga a cidade
E dás confiança, carinho e amizade.

És ó Vila, pequenina, porém bela!
Junto ao rio que te beija com ardor
Destas plagas sertanejas, agreste flor.

E à luz do sol tropical
De princesa do Sertão tens o título real;
Vila Bela, ó querida Vila Bela!
Branco ninho de verduras engastadas
Ao sopé da rude Serra Talhada
Do granito do sertão.

E de Pernambuco és
Certamente o coração!
E de Pernambuco és
Certamente o coração!

Na canção “Vila Bela” o magistral Arnaud Rodrigues declama um amor sublime pela terra natal:

“Serra bela vila é a vila bela
Ontem vila e hoje serra
Talhada pela natureza é a nossa serra
Ontem vila e hoje bela

E as poucas luzes se acenderam
E eu vi você
Gotas caíram dos meus olhos
Por ver você
De manhã o sol rasgou o céu
E eu fui vendo tudo que era meu

Grandes corações todos abertos
Risos de irmãos e amigos meus
Grandes casarões portas abertas
Onde se acredita mais em Deus

Na capela toca o sino som dominical”…

(….)

Faço minhas as palavras do poeta Rai de Serra quando canta o orgulho de ser serra-talhadense:

(….)

“Serra Talhada
Me orgulho sou privilegiado
Por ter nascido aqui
Na Capital do Xaxado”

Nesse contexto, retratei a história da nossa terra no poema intitulado SERRA TALHADA: De Agostinho aos dias atuais:

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Quando outrora Agostinho aqui chegou
Encantado ficou com a paisagem
Pajeú deu suporte na estiagem
A raiz do progresso edificou
Pouco a pouco o comércio prosperou
Despertando essa estreita vocação
Comandando a ribeira e região
Povoado cresceu, abriu cancela
E surgiu para o mundo Vila Bela
Um oásis no meio do sertão

Alpercata fazendo estardalhaço
Num embalo envolvente e singular
Inovando no jeito de dançar
Cangaceiro e fuzil no mesmo enlaço
Pelas lutas marcantes do cangaço
Lampião como rei foi coroado
E na dança aqui deixa seu legado
Um bailado aguerrido e imponente
Nossa terra ostentando uma patente
Capital brasileira do xaxado

Na política ergueu grande influência
Governando o estado Agamenon
Em Brasília Inocêncio “dando o tom”
Interino assumiu a presidência
No passado houve forte interferência
Do poder demarcando a trajetória
Eleitor sem nenhuma escapatória
Tão somente cumpria seu papel
O “chicote”, o “cabresto” e o “coronel”
Referências marcantes dessa história

E na arte eclodiu rompeu fronteiras
Na TV Arnaud ganha projeção
Marcolino, Rui Grúdi e Assisão
E o forró foi soltando as estribeiras
Na leveza de moças bem faceiras
Passarelas pro mundo descortina
Despertando este sonho de menina
O “glamour” se instalou pela cidade
Um legado ficou pra eternidade
Campeã da beleza feminina

Nos tapetes gramados do sertão
Majestoso reinou “Comercial”
Torcedor do “Serrano” em alto astral
“Ru! Ru! Ru!” a causar grande emoção
O “Ferrim” foi primeiro campeão
Veio o “Serra” alcançando nova glória
Na derrota, no empate ou na vitória
Futebol é paixão que contagia
“Pereirão” aos domingos que alegria
São lembranças guardadas na memória

A ciência se impõe com autonomia
Faculdades e cursos mais diversos
O ensino sem cunhos controversos
Trouxe a luz que encandece e irradia
Medicina, Direito, Engenharia
São pilares da nossa educação
Construindo um futuro em ascensão
Insciência faz parte do passado
O saber aqui foi consolidado
Transformando indivíduo em cidadão

Lá do alto na Praça da Matriz
Virgem Penha conduz a procissão
Em setembro cumprindo a devoção
Nossa fé pela Santa se bendiz
Criançada a brincar, sorri feliz
Carrossel, “pula pula” é uma zoeira
A cerveja com bode e macaxeira
Tradição que é mantida entre os fiéis
Filarmônica em altos decibéis
Rege a festa da madre padroeira

Nossa gente é demais hospitaleira
Uma terra por Deus abençoada
Quem visita tão logo faz morada
Externando a paixão mais verdadeira
Degustar manguzá no “mei” da feira
“Tô na Concha” animando o carnaval
Josué deu seu nome ao “Bar Central”
Fez do caldo uma marca registrada
Vem pra cá conhecer Serra Talhada
Recebendo esse abraço fraternal

E do cume da pedra do cruzeiro
Se contempla a grandeza da cidade
Que se espalha em total prosperidade
Se tornando um caminho alvissareiro
Agradece o torrão pajeuzeiro
Pela luz que emana deste chão
Qual arpejo entoando uma canção
Nossa terra traduz porto seguro
O sertão abre as portas pro futuro
E o futuro abre as portas pro sertão

Erigida tu foste ao pé da serra
De entalhes com nobre arquitetura
Esculpidos por obra da natura
Inspirando o batismo desta terra
A bravura que ao tempo se descerra
Te elevou a tornar-se emancipada
Uma história no tempo demarcada
Averbada em registro por chancela
No princípio tu foste Vila Bela
No presente tu és Serra Talhada

João Luckwu – Serra Talhada-PE