'Sônia do Milho' resiste há 12 anos e faz história em ST

Publicado às 05h05 desta quinta-feira (24)

O São João chegou e nada mais típico nessa época do que o cheirinho de pamonha, canjica e milho no ar. O nordeste comemora a chegada do inverno, o dia do santo e a alegria de comer os pratos mais esperados do ano. Aqui na Capital do Xaxado a pamonha não pode faltar, mesmo que as festas, fogueiras e fogos sejam proibidos devido a situação pandêmica. Com isso a reportagem do Farol de Notícias foi conhecer a história de Sônia Nogueira, 66 anos, que vende milho, pamonha, canjica e bolo de milho na Rua Enock Ignácio de Oliveira.

Há 12 anos Sônia se viu em uma situação financeira muito difícil, não sabia o que fazer, foi quando uma amiga fez a proposta de comprar milhos para vender na esquina de sua casa, no início ela não levou muito a sério, no entanto as vendas foram um sucesso.

“Comecei a vender por um acaso, tinha uma pessoa que me ajudava com minha mãe, na época eu estava com uma situação difícil, aí ela disse: compre um saco de milho e vamos para a esquina vender, e por aí foi, teve dia de eu vender aqui 5 sacos de milho assado e cozinhado, hoje não, que as coisas estão difíceis”, afirmou.

Veja também:   Família oferece recompensa por gato desaparecido em ST

'Sônia do Milho' resiste há 12 anos e faz história em ST

Aprendeu a fazer a canjica e a pamonha no sufoco, hoje tem orgulho de sua receita e sabe como agradar os seus clientes. Não tem a pretensão de falar que é a melhor, porque cada um tem um gosto diferente, porém sabe seu diferencial. “Hoje eu acredito assim, não é que eu queira ser, mas coada igual eu faço só tem eu mesmo, tem muita pamonha boa em Serra Talhada, mas a minha é coada, como se fosse canjica”, detalhou.

AS VENDAS NA PANDEMIA 

Já é o segundo ano que os comerciantes juninos estão prejudicados, seja nas vendas dos pratos típicos, seja no forró ou até mesmo nos fogos de artifício. Com Sônia não foi diferente, tem sido dias difíceis em relação as vendas, mesmo assim ela agradece por estar viva e com saúde em meio a tanto caos.

“Esses dois anos nem se compara com os anteriores, há dois anos se eu fizesse mil pamonhas, não dava nem para chegar aqui e hoje, depois da pandemia é muito diferente, mas está bom, graças a Deus estamos em paz, estamos com saúde e isso é o que vale. As vendas diminuíram muito, o material ficou caro, o lucro praticamente acabou, antes você comprava um saco de milho com  100 espigas por R$ 25,00 ou R$ 30,00, hoje você compra por R$ 60,00 ou R$ 70,00, é muita diferença”, explicou.

Veja também:   Bolsonaro desrespeita técnicos da Anvisa e o luto de milhares de brasileiros

CLIENTES FIEIS 

'Sônia do Milho' resiste há 12 anos e faz história em ST

Todos os dias às 16h Sônia vai com seus produtos para a esquina da Escola Estadual Solidônio Leite, além do cheiro que deixa no ar ela também constrói memórias, são amigos e clientes a todo momento, palavras amigas e elogios. Sônia tem orgulho do seu trabalho e sente muito honrada de poder trabalhar no mesmo local. Hoje em dia ela é evangélica, mas relembra com carinho o São João da sua infância.

“Graças a Deus eu tenho muitos clientes fieis, clientes de Flores, de Triunfo, de Floresta, de Belmonte. Eu me sinto muito feliz, porque eles dizem que não tem pamonha igual a sua. Eu sou muito grata pelo reconhecimento. O São João da minha infância era bom, não existia a maldade, era diferente de hoje, antigamente a gente era feliz e não sabia, hoje felicidade para o povo é dinheiro e felicidade para mim é você viver bem e em paz e com a vida e com o Cristo. Sou muito feliz aqui, fico doente é quando eu não venho, não é só pelo dinheiro é porque eu gosto de trabalhar, tem gente que me pergunta como eu aguento estar com 66 anos e ainda trabalhando aqui, graças a Deus que tenho essa coragem, aqui eu conheço todo mundo, todo mundo me conhece”, detalhou.

Veja também:   PIZZA E BODE: Fiscal da Adagro questiona fragilidade da Justiça em 'escândalo' em ST

A ESPERANÇA 

Sônia e milhões de brasileiros vivem com a expectativa de que em 2022 as coisas melhorem, saúde, vacina, fim de uma pandemia devastadora, melhoras na economia e um São João nordestino típico e cheio de festejos. “Eu tenho esperança de não só as vendas melhorarem, mas da gente poder se libertar dessa máscara já é grande lucro, todo mundo ter saúde, porque hoje em dia você só escuta “morreu” ou “tá intubado”, ninguém mais tem aquele prazer que tinha, uma época dessa você não escuta uma bomba, pra quem gosta é triste”, ressaltou.

Com Sônia você pode ter um pouco de São João durante todo o ano, mesmo que não haja festas, é importante que haja esperança, amor e empatia. Que o carisma da vendedora de pamonha seja contagiante, trazendo alegria e a todos que têm o privilégio de provar seus pratos.

'Sônia do Milho' resiste há 12 anos e faz história em ST

'Sônia do Milho' resiste há 12 anos e faz história em ST