Trump deposita na Suprema Corte o futuro de sua candidatura aos EUA

Do G1

Embora surpreendente e pioneira, a decisão do Supremo Tribunal do Colorado que torna o ex-presidente Donald Trump inelegível tem tudo para ser barrada na Suprema Corte, de maioria claramente conservadora, com três juízes nomeados durante o seu mandato.

É o que espera a campanha do pré-candidato, que desponta como favorito entre os republicanos, com 49 pontos de vantagem sobre seus concorrentes, segundo o site de dados FiveThirtyEight.

Até agora, o peso de 91 acusações na Justiça, distribuídas em quatro processos criminais, não afetou a popularidade de Trump. A decisão do Colorado de desqualificá-lo para ocupar o cargo é a primeira vitória em uma campanha empreendida em pelo menos 16 estados do país.

Todas as contestações baseiam seus argumentos na 14ª emenda, que proíbe de ocupar cargos públicos aqueles que fizeram juramento constitucional e se envolveram em insurreiçãoTrump é acusado de incitar seus partidários a invadir o Capitólio, no motim de 6 de janeiro de 2021, para contestar o resultado eleitoral que deu a vitória a Joe Biden.

Veja também:   Ex-policial russo é condenado por 56 mortes

A decisão de invocar esta emenda constitucional para barrar o retorno do ex-presidente ao comando da Casa Branca divide juristas e constitucionalistas do país. Os processos em andamentos nos estados americanos ganharam um fôlego a partir do veredicto do Colorado, por 4 votos a 3, mas Trump conta com a Suprema Corte para restaurar o seu lugar nas urnas.

Se o mais alto tribunal americano concordar em ouvir o recurso do ex-presidente, os processos pendentes em instâncias inferiores seriam congelados e Trump continuaria elegível.

Independentemente de qualquer decisão judicial, o argumento da vitimização vem ecoando em favor de Trump e não pode ser subestimado. O fato de ser réu criminal não demove o apoio de simpatizantes ao futuro de sua candidatura.

O ex-presidente sabe como tirar proveito disso e se mantém na dianteira como favorito para obter a indicação do Partido Republicano e com ligeira vantagem sobre Joe Biden na disputa final pela Casa Branca.