Publicado às 06h45 deste sábado (23)

Por Paulo César Gome, Pofressor, escritor e colunista do Farol

A visita de Lula a Serra Talhada foi um dos maiores acontecimentos políticos da história do município quando se leva em consideração as disputas eleitorais em escala regional e nacional, mas que ficou marcada pelas lembranças de alguns ausentes e pelas vaias a alguns presentes. Muitos dos que estavam lá não se esqueceram de Marília Arraes e Luciano Duque. E por razões bem claras: Paulo Câmara, João Campos e Danilo Cabral, receberam vaias alternadas com aplausos.

Foi um evento extremamente organizado e com pouquíssimas falhas, até as tão faladas restrições de segurança por vezes pareceu não existir, foi possível se aproximar do ex-presidente à distância de até dois metros, sem credencial, pulseira e sem que ninguém da sua segurança estivesse no caminho.

O Lula que esteve em Serra Talhada se apresentou de forma espontânea e distribuiu simpatia, bem como a sua esposa, a Janja. Diante de um público de várias gerações, de idosos, a antigos e novos militantes de partidos e de movimentos sociais, passando pelo grande número de jovens que vão votar pela primeira vez. Um fato que chamou bastante atenção, muitos desses garotos e garotas gritavam bem alto: Papai Lula! Vai Lulinha! Lula meu presidente!”

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O petista falou do seu jeito para uma plateia que ficou encantada com as suas palavras, mas Lula pecou ao não se dirigir aos evangélicos e profissionais das seguranças públicas, grupos sociais que são decisivos para o resultado final da eleição.

A prefeita Márcia Conrado foi outro grande destaque, ela vive um grande momento na política e mostra que tem um grande potencial. Se fizer as escolhas certas, Márcia poderá se tornar nas próximas décadas o maior nome da política pernambucana, mas é preciso ter cautela, não se pode ser onipresente, estar em todos os lugares sem deixar de olhar para as questões locais. Principalmente quando se tem um secretariado que quase não fala com a imprensa, e quando fala é com autorização da assessoria.

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Danilo Cabral tinha tudo para decolar com a sua candidatura, Lula veio dar o seu recado, mas o próprio PSB parece não estar no ‘time certo’ para essa eleição. O Pajeú é uma das regiões onde o PSB controla a maioria das prefeituras e, mesmo assim, não conseguiu fazer uma mobilização capaz de tornar a Estação do Forró um ambiente dominado por socialistas. E por essa razão pagou um preço de ter que ouvir o seu candidato ser vaiado e setores do público apelarem com gesto com as mãos para que ele encerrasse logo o seu discurso que durou cerca de quinze minutos.

Depois desse evento fica bem claro que boa parte dos petistas e alguns movimentos sociais vão votar em Marília Arraes, mesmo com as declarações de Lula em favor de Danilo. Duas questões explicam isso: a primeira, é a saturação do eleitorado em relação aos governos do PSB em Pernambuco, as pesquisas sinalizam que o povo quer mudança. A segunda é o fato de que a liderança que mais enfrentou o PSB em Pernambuco, sem nunca ter recuado, foi Marília Arraes. Essa sua determinação e firmeza estão conquistando muitos corações e almas pernambucanas.  Diferente de Danilo Cabral que, ao que parece, dadas as palavras de Lula, é o candidato de um acordo. Nesse sentido faltou combinar com a população, que de várias formas agora está expressando sua indignação e revolta.

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