Do Diario de Pernambuco

Ao menos 10 pessoas morreram nesta quarta-feira em um ataque com bomba no centro de Cabul contra o comboio do primeiro vice-presidente afegão, Amrullah Saleh, conhecido por sua hostilidade em relação aos talibãs.

“Esta manhã, quando estávamos a caminho do meu escritório, nosso comboio foi atacado. Estou bem, mas alguns de meus guardas ficaram feridos”, afirmou Saleh em um vídeo publicado no Facebook, com a mão enfaixada.

“Tenho queimaduras no rosto e na mão”, completou o ex-diretor do serviço de inteligência do Afeganistão.

“Infelizmente, 10 civis, a maioria pessoas que trabalhavam na área, morreram e 15, incluindo vários guarda-costas do primeiro vice-presidente, ficaram feridos”, afirmou Tareq Arian, porta-voz do ministério do Interior.

“A explosão não tem nada a ver com nosso grupo”, reagiu o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid.

De acordo com um colaborador do vice-presidente, que conversou com AFP sob anonimato, um homem-bomba detonou os explosivos perto do comboio.

Abdullah, um comerciante que, como muitos afegãos, utiliza apenas um nome, afirmou que a explosão destruiu as janelas de seu estabelecimento.

“Uma loja que vendia botijões de gás pegou fogo e alguns botijões explodiram”, disse.

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, condenou o ataque.

Saleh, conhecido por suas posições hostis aos talibãs, já sobreviveu a uma tentativa de assassinato durante a campanha presidencial, quando um homem-bomba e indivíduos armados atacaram seus escritórios.

O atentado deixou 20 mortos, a maioria civis, e 50 feridos.

O ataque desta quarta-feira aconteceu no momento em que a equipe de negociadores afegãos e os talibãs se preparam para começar em breve as negociações de paz no Catar.

Saleh declarou no domingo que o compromisso dos talibãs com a paz seria examinado desde o início das negociações, quando a delegação de Cabul pressionará por um cessar-fogo permanente.

“O primeiro teste para os talibãs é um cessar-fogo. Caso aceitem, eles estarão comprometidos com a paz. Em caso contrário, não estarão”, afirmou Saleh em uma entrevista ao canal afegão Tolo News.

Enquanto os preparativos continuam para as conversações em Doha, a violência não dá trégua.

“Os ataques destroem as esperanças de milhões de afegãos que sonham com a paz e anseiam pelo começo das conversações de paz e o fim da violência”, escreveu no Twitter o porta-voz do presidente afegão.

O início de um diálogo de paz entre as duas partes, previsto para março, foi adiado em várias ocasiões por divergências a respeito de uma troca de prisioneiras, que está praticamente concluída.