Publicado às 19h desta quarta (30)

Fotos: Max Rodrigues/Farol

Nesta quarta-feira (30) enfermeiros se reuniram em todo Brasil pela defesa da aprovação da PL 2564/2020, que prevê um piso salarial para a categoria e também uma redução de carga horária. Em Serra Talhada a mobilização ocorreu às 14h em frente ao Hospital Regional Agamenon Magalhães (Hospam), no Centro, que reuniu enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem, o Farol de Notícias acompanhou a mobilização.

“Já faz alguns anos que existe no senado um projeto de lei para o piso salarial da equipe de enfermagem, hoje em dia nós não temos um piso e nem uma carga horária digna, a gente tem uma carga horária exaustiva, muitas pessoas trabalham vários plantões durante a semana. Não existe um piso salaria para enfermeiros no Brasil, nós aproveitamos esse momento da pandemia que estamos muito exaustos. Existe esse projeto de lei que 76 senadores já pediram aprovação com urgência, porém, ainda existe alguns senadores que não aderiram, como Rodrigo Pacheco, Fernando Bezerra Coelho, que é o líder do Senado”, disse a enfermeira Joyce Siqueira, detalhando:

“A gente querendo que essa PL seja votada com urgência e por isso, hoje em Pernambuco várias cidades do nosso estado estão se mobilizando, fazendo essa paralização em prol do piso salarial e da carga horária. O piso salarial é para toda a equipe de enfermagem, vai entrar enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem, é para a equipe. Nossos somos a maior categoria da área de saúde, em Pernambuco nós temos cerca de 116 mil profissionais em enfermagem, em hospital, postos de saúde, sempre somos a maior categoria. Hoje no estado de Pernambuco um técnico de enfermagem recebe R$ 766,85, menos que um salário mínimo, nosso estado é o que paga o pior salário do Brasil”.

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LUTA POR CARGA HORÁRIA COMPATÍVEL E SALÁRIO DIGNO

Ao Farol, a enfermeira Juliana Lins alertou que a categoria luta por valorização do trabalho há muito tempo. “Para que a gente tenha um salário digno, por uma carga horária compatível com o nosso trabalho, o que está acontecendo aqui é que a maioria, se não todos, precisam ter mais de um vínculo de trabalho para poder receber um salário digno, no entanto a gente passa mais tempo fora de casa, com jornadas de trabalho excessivas, que isso acaba prejudicando a gente, nossa saúde, nossa vida social, o que a gente procura hoje é nossa valorização e esse reconhecimento”, alertou Juliana, concluindo:

“Nessa pandemia muitos trabalhadores tiveram a opção de ficar em casa de revezar o seu trabalho, enquanto a gente da saúde não tem essa opção, a gente é linha de frente e a gente não tem essa opção de ficar em casa, a gente tem que enfrentar a doença, nunca paramos, inclusive não temos nem o direito de tirar férias por conta da pandemia, isso traz um excesso de trabalho para gente e sem reconhecimento nenhum, agradecemos as palmas, mas a gente quer um reconhecimento financeiro”.

“ESSA LUTA NÃO É DE AGORA”

O enfermeiro Ágabo Daniel alertou que a categoria vem sofrendo há muitos anos. “Hoje a gente está se mobilizando a favor de um projeto de lei de número 2564 que está no senado e que ele coloca um piso nacional para a categoria como um todo, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e reduz nossa carga horária a 30 horas semanais, para que com a redução e a melhoria de salário a gente possa ter melhor condição de dar um assistência de qualidade e não ter que buscar tantos vínculos e tantos plantões, para poder ter ao fim do mês um salário mais justo para poder sobreviver. Dentro dessa luta que não é de agora, ela já tem muito tempo, existem outros projetos que foram arquivados na Câmara e no Senado, mas diante do momento da pandemia essa discussão veio novamente, um senador colocou novamente essas reinvindicações da categoria no novo projeto”, disse Daniel, de forma enfática:

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“Tendo uma uniformidade do salário e uma uniformidade da carga horária a gente teria melhor condição de trabalhar e de oferecer aos pacientes uma melhor assistência, por isso hoje estamos reunidos, dando apoio a todos os movimentos que estão acontecendo em todo estado e de certa forma já vem acontecendo há meses anteriores em todo o país, principalmente em Brasília. Existem projetos separados tanto de piso quanto de carga horária, mas o senador Fabiano Contarato, ele conseguiu unificar e fazer um projeto que reuniu as duas reinvindicações e que teve um maior apoio, não só da categoria como também dos políticos, a gente está encontrando uma grande dificuldade no senado porque mesmo a maioria do senado pedindo urgência na aprovação o presidente da casa, Rodrigo Pacheco, não coloca esse projeto no plenário para votação e a gente tá agora tentando fazer essa pressão para que ele ceda a pressão dos seus colegas, da população, da categoria e que ele possa seguir o tramite para a gente poder ao final de tudo isso conseguir ter uma vitória, ter uma conquista nesse projeto”.