Os 40 anos da Missa do Agricultor em ST e o legado do Padre AfonsoPublicado às 05h40 desta segunda-feira (25)

Por Alberto Rodrigues de Oliveira, Professor serra-talhadense

A missa do agricultor da Paróquia do Bom Jesus Ressuscitado, em Serra Talhada, celebrada toda última segunda feira do mês de julho, torna-se fato histórico. Comemora-se 40 anos de festa das colheitas dos agricultores e agricultoras de Serra Talhada.

A primeira missa criada e presidida pelo Mons. Afonso de Carvalho Sobrinho (Padre Afonso), ocorreu em 1982 na matriz de Nossa Senhora da Penha, cedida pelo Padre Jesus Garcia Rianõ. A partir de 1968 padre Afonso Carvalho, primeiro pároco da recém-criada paróquia de Nossa Senhora do Rosário, celebrava aos domingos no Grupo Escolar Antônio Timóteo, local do marco zero do Bairro Alto Bom Jesus.

Nos anos seguintes padre Afonso Carvalho mobilizou os moradores e outras pessoas de boa vontade para construção da capela do Bom Jesus. Na época da primeira missa do agricultor, a Igreja do Bom Jesus estava em construção. Os primeiros participantes desta celebração foram os associados do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Serra Talhada.

Com a liderança do padre Afonso Carvalho inicia-se em Serra Talhada o apoio da Igreja Católica às organizações populares em defesa das lutas sociais dos direitos fundamentais da pessoa humana. Os membros do sindicato foram assíduos participantes durante os 40 anos de celebração.

Podemos imaginar quantas pessoas passaram por esta celebração, presidentes e diretores sindicais, agricultores (a) deste município e de outras cidades vizinhas, todas trazendo oferendas dos seus próprios trabalhos no campo, agradecendo a Deus com aquela parte da colheita. Os anos bons de inverno enchiam-se montes de produtos do campo em frente do altar.

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As variações das chuvas, variavam as oferendas apresentadas na missa do agricultor. Certo ano de seca houve só algumas chuvas e os agricultores perderam o milho no início da criação da boneca. Um agricultor arrancou vários pés de milho com as bonequinhas secas e colocou lá em frente do altar.

Qual será a relação deste agricultor com Deus? Esse espaço produz frutos, produtos, mensagens, distribuição de mudas, de panfletos dos dez mandamentos do homem em convivência com a seca, testemunhas, participação de bispos, padres da Diocese de Afogados da Ingazeira e de outras paróquias e dioceses circunvizinhas. Para quem fez parte desta história causou admiração e os curiosos que querem saber o número de colaboradores, celebrantes e contribuições em produtos da raça colocado como oferendas podemos apenas imaginar tantas riquezas ocorridas nestes 40 anos.

Participaram das missas três bispos, sendo no mínimo um celebrante e dois concelebrantes, seriam 120 presbíteros, mas pela variação podemos chagar a mais de 200 sacerdotes. A este ato de fé sempre teve a participação da Secretaria de Agricultura de Serra Talhada e outras entidades afins, como grande distribuição de mudas da sementeira do município e em retorno saíram nos anos bons camionetes cheias de alimentos para acampamentos de trabalhadores rurais e pessoas carentes.

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Este acontecimento só pode marcar também a história da diocese de Afogados da Ingazeira com seus sessenta e poucos anos de ação pastoral, quarenta anos foram marcados pela missa do agricultor da paróquia do Bom Jesus Ressuscitado, do Alto Bom Jesus, em Serra Talhada.

Só é possível aprofundar mais o conhecimento deste acontecimento pela apreensão das ações pastorais do padre Afonso Carvalho. Criou nos anos 70 o Clube de Amigos da Terra do Médio Pajeú – CATEMP, com o objetivo especifico de defender os ecossistemas da Caatinga, suas paisagens naturais e características geomorfológicas, flora e fauna; combater todo e qualquer tipo de poluição, em vista de uma sadia qualidade de vida das gerações atuais e futuras; desenvolver o ecoturismo, conforme as modalidades adequadas ao ecoclima do Sertão Nordestino e realizar programas de educação ambiental, cultural e líbero-recreativo.

Padre Afonso Carvalho distribuiu inúmeros panfletos de sua autoria: “Os dez mandamentos do homem em convivência com a seca”. Finalmente o resultado do seu trabalho sacerdotal resultou em mais de dez pequenos santuários da natureza, áreas de preservação e conservação permanente da Caatinga a começar pela propriedade de herança dos seus pais onde está lá sepultado.

O primeiro pequeno santuário da natureza foi criado pelo padre Afonso Carvalho na Fazenda Açude Velho, distrito de Tupanaci do município de Mirandiba onde está sepultado. Inaugurou o Corredor Ecológico da Fábrica Brotinho por trás do Açude Cachoeira II, outro na Fazenda Cacimba Velha de Teotônio Padre e família; na Fazenda Pilaozinho de seu Zé Dino hoje conservado pelos filhos Assis e Antônio e demais herdeiros; A sementeira do padre Afonso Carvalho muito bem cuidada pelas irmãs, Verdelina, Chagas e Abigail na Santa Rita Velha; o pequeno santuário da natureza de seu João de Souza na Macambira e outro pequeno santuário da natureza no São Bento na propriedade de seu Jesus Barbosa.

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Na estrada de Triunfo inaugurou o pequeno santuário na Fazenda Nova de seu José Raimundo da Costa no Alegre; subindo a serra depois da curva do “S”, inaugurou o Santuário do Cajá, no sitio Baixa das Flores. Em Mirandiba inaugurou o pequeno santuário das Preces dos Rodrigues.

Por último, em uma grande Concelebração Eucarística pela comemoração dos 50 anos de vida sacerdotal do Mons. Francisco de Assis Rocha, ex-pároco do Rosário em Serra Talhada, inaugurou na Fazendo Buenos Aires o grande Santuário da Natureza, propriedade do Homembom de Souza Magalhaes Neto e Dona Dalma Regis.

Ainda ficaram outras áreas de preservação e conservação permanente da Caatinga sem inauguração porque adoeceu e faleceu colhendo os frutos da sua caridade pastoral.

Alberto Rodrigues de Oliveira